Parte I- Aqui
Texto baseado em Rei Guerreiro Mago Amante
A redescoberta dos arquétipos do masculino
Robert Moore e Douglas Gillette
Pesquisa Fabi e Ana Cris
O arquétipo do Rei representa Deus na sua forma masculina existente em cada homem. Para os hindus essa masculinidade primitiva é chamada de Atman, os cristãos e judeus referem-se a ela como imago Dei, a imagem de Deus. A energia do Rei é primitiva em todos os homens. É a mais importante, pois integra os arquétipos masculinos em um equilíbrio perfeito. Esse arquétipo é o que está por trás da história de Thorin Escudo de Carvalho. Ao entrar em contato com essa energia imensamente organizadora e ordenadora, quais características de Richard Armitage e de Thorin foram potencializadas pelo arquétipo do Rei? 1

As características do Rei em sua plenitude
Ele é intercambiável
Historicamente, os reis sempre foram sagrados. Como homens mortais, porém, tiveram relativamente pouca importância. É o reinado, a energia do Rei em si, que é importante. Todos conhecemos o famoso grito, quando o rei morre e há outro esperando para subir ao trono: "O rei morreu; viva o rei!" O homem mortal que encarna a energia do Rei ou a carrega por algum tempo a serviço de seus semelhantes, a serviço do reino, a serviço do cosmo, é quase um elemento intercambiável, um veículo humano para trazer ao mundo e às vidas dos seres humanos esse arquétipo ordenador e gerador.
Como Sir James Frazer e outros observaram, os reis no mundo antigo eram em geral mortos ritualmente quando a capacidade de representar o arquétipo do Rei decaía. O importante era que o poder gerador da energia não ficasse preso ao destino de um mortal que envelhecia e ficava cada vez mais impotente. Com a ascensão do novo rei, a energia do Rei era novamente encarnada, e o arquétipo se renovava nas vidas das pessoas que faziam parte do reino. Na verdade, o mundo inteiro se renovava.1

No livro, quando Thorin chama Gandalf de Mestre Mago, ele parece ser até mais velho que o próprio Gandalf por causa da escolha de palavras, o que é estranho. Nós ainda brincamos um pouco e o fizemos falar e andar mais lentamente, mas pensei que se eles realmente quisessem que ele parecesse mais velho, contratariam um ator com mais idade. Eu queria que ele parecesse mais heroico no campo de batalha, alguém que ainda tem potencial para atingir esse estado de brilho em um campo de batalha. Ele é como uma chama que tremula, e quase se extingue, mas tem o potencial para voltar a reacender. Quando você primeiro o encontra ele é como uma chama se apagando, mas ele ainda tem que ser uma chama.2
Ele é centrado.
O Rei está no Centro do Mundo. Ele senta-se no seu trono na Montanha Central, ou na Colina original, como chamavam os antigos egipicios. Na mitologia do Egito antigo, o mundo surgiu do caos a partir de um vasto oceano sob a forma de uma Montanha central. Nasceu pela “Palavra” sagrada, do deus Pai, Ptah, deus da sabedoria e da ordem. Da Montanha Central irradia-se toda a criação até as fronteiras do reino. O Mundo é definido como a parte da realidade que é organizada e ordenada pelo Rei. O que está fora dos limites de sua influência é a não-criação, o caos e o não–mundo.1,2
Além de servir como o centro geográfico do reino, o Rei também representa o seu centro espiritual. Ele é o intermediário entre o céu e a terra. O xamã sioux, Black Elk, no livro de John Neihardt, Black Elk Speaks, fala do mundo como um grande "arco", dividido em dois caminhos, um "vermelho" e outro "negro", onde eles se encontram é a Montanha Central do mundo. É nessa montanha que o grande Pai — a energia do Rei — fala e faz a Black Elk uma série de revelações para o seu povo.1

Erebor, The Lonely Mountain; art by J.R.R. Tolkien
Quando um homem está vivendo o arquétipo do rei em sua plenitude, ele sente o mesmo poder centrado em si mesmo. Não que ele acredita que o mundo gira em torno dele, mas sim que a sua confiança, propósito e bem-estar do seu Reino, lhe dão um sentido supremo de equilíbrio. Mesmo quando o mundo ao seu redor se torna caótico, ele permanece calmo e centrado. Ele age, e não reage. Ele é como uma rocha numa crise. Por causa de sua posição no centro das coisas, ele pode analisar o que está acontecendo, mergulhando em todos, e então ter uma visão ampla das coisas. Esta perspectiva abrangente permite que ele seja justo e sábio, seu lado Mago.1
Richard … nós fizemos o teste para o papel, e vimos muitos, muitos atores. Richard realmente conseguiu capturar para nós o sentido muito importante de nobreza, porque ele está, essencialmente, representando um rei [...] E também com o personagem, há um senso de honra que Richard … uma espécie de honra silenciosa que Richard carrega em si, que eu acho que é absolutamente soberbo e como ator, Richard é um daqueles raros atores que usa a quietude e a calma para prender a sua atenção. Pode haver um monte de coisas acontecendo na tela, pode haver muitos personagens na tela, e ainda Thorin em sua quietude prende a sua atenção. É uma habilidade muito, muito rara … ele é alguém que quando está na tela, seus olhos se fixam nele, alguém que você quer assistir.
Peter Jackson on Richard Armitage3
John W. Perry, conhecido psicoterapeuta, descobriu o poder de cura do Rei reorganizando a personalidade nos sonhos e visões de pacientes equizofrênicos. Perry observou que ao entrar em contato com a energia do Rei a personalidade destes pacientes se organizava-se de uma forma mais centrada. Ele observou, então, que o Rei é o arquétipo central, em torno do qual o resto da psique se organiza, tornando-se mais tranquila e estruturada.1
Ele traz ordem.
Thorin é o líder da banda de Anões, e precisávamos de alguém que possuia inerentemente a força e autoridade … E essas qualidades são refletidas na forma como Richard possui completamente o caráter de Thorin. Ele é uma pessoa maravilhosa e tranqüila na vida real, e ainda quando ele avança para as botas de Thorin Escudo de Carvalho, ele assume o controle total desse grupo.4
É dever do Rei, não só receber como também levar ao seu povo a Ordem do Mundo Divino, ou seja, a manisfestação dos pensamentos ordenadores do Deus Criador. O rei mortal faz isso codificando leis, que emanam da própria energia da nação. Mas, até mais fundamentalmente, o rei mortal deve vivê-la em sua própria vida. A primeira responsabilidade do rei mortal é viver de acordo com o Dharma (Ordem Justa) ou o Tao (Caminho). Se ele o fizer, o reino florescerá. Assim, o rei mortal, movido pela energia amadurecido do Rei, vivencia a ordem na sua própria vida, só depois ele irá impo-la aos outros1.
Um homem acessando a energia do Rei não criar regras somente para colher a satisfação de ver as pessoas as obedecerem. Em vez disso, suas regras fornecem a estrutura que permite que outras pessoas possam florescer. Descobrir como criar regras que ajudam em vez de impedir o progresso das pessoas requer o tipo de reflexão cuidadosa que vem através do arquétipo do Mago5.
Para integrar completamente o arquétipo do Rei em nossas vidas, não é o suficiente dizer aos outros como devem viver, um homem também deve viver por esses mesmos princípios. Antes de proporcionar ordem para os outros, ele tem que tornar-se um homem de disciplina5.
Martin sobre Richard3: Foi muito fácil, na verdade, trabalhar com Richard Ele é … de fato o que Pete disse sobre o que ele traz para Thorin é em parte o que ele traz apenas como pessoa, que é, ele tem uma determinação quieta, ele respeita a si próprio e aos outros e ele respeita outra forma de trabalhar, mas se detém a este núcleo muito forte de si mesmo, na verdade, ele é a pessoa menos arrogante que você poderia encontrar, ele é muito auto-depreciativo e ele está sempre pronto para… Você sabe, todas as provações e tribuições que inevitavelmente vêm com apenas o dia-a-dia de se fazer um filme, é cansativo, você sente falta de sua casa, etc, Ele era muito estóico sobre isso, o que também é uma grande coisa para Thorin. Então eu acho que houve um bom casamento de Richard e Thorin e sim, eu gostei muito de trabalhar com ele. O que eu sempre penso sobre Richard é que ele é essencialmente uma pessoa decente, e eu não posso oferecer maior elogio para alguém, eu acho que ele é um ser humano bom e eu gosto de estar ao seu redor.
Ele protege seu reino.
Thorin é um personagem extremamente nobre e falho, comenta o produtora-roteirista Fran Walsh. A sua história é trágica e muito comovente. Ele está lutando por seu povo, que ficaram desabrigados e vagando sem status por tantos anos. Sua história é sobre Erebor e seu sonho de cumprir essa pátria4.
Historicamente, uma das principais funções do Rei era proteger o seu Reino. Enquanto um homem não pode ser um líder de um país, ele certamente tem seus próprios reinos aos quais ele é responsável por proteger, quer a proteção seja física, mental, emocional ou espiritual. A casa de um homem é o seu Reino, um lugar que ele deve manter livre de influências negativas. E a sua própria psique e limites pessoais são soberanias que se deve ser protegidas e defendidas com zelo. Qualquer que seja o reino, quando acessamos o arquétipo do Rei em sua plenitude, fazemos o tem que ser feito, a fim de protegê-los, e isso muitas vezes requer o acesso a energia do arquétipo do Guerreiro5.

Thorin herdou uma missão de vingança de seu pai, para reclamar o que é deles e levar seu povo de volta para Erebor, diz Armitage. "E o peso é uma coisa muito solitária para carregar. Thráin desapareceu tentando fazer a mesma coisa cem anos atrás. Então Thorin sente como é agora ou nunca. Eu acho que ele é como uma brasa morrendo. Ele tem o potencial para reacender em uma fornalha enorme, mas se ele não fizer isso agora, a brasa irá morrer4.
Ele proporciona fertilidade e benção.
De acordo com Moore1, os reis mitológicos eram frequentemente associados com a fertilidade e a criação. Muitas culturas antigas acreditavam que a capacidade do rei de procriar determinava o destino de suas colheitas. Se o rei era vigoroso, viril, e tinha uma descendência numerosa, a colheita seria abundante5. A idéia era que, se esses homens prosperavam física e psicologicamente, o mesmo acontecia com seus reinos. O rei mortal, assim diz a mitologia, era a corporificação da energia do Rei. A terra, o seu reino, era a corporificação das energias femininas. Ele era, na verdade, casado simbolicamente com a terra, que era a sua primeira rainha. Somente em parceria criativa com ela poderia ele garantir toda a espécie de fartura para o seu reino1. Para integrar plenamente o Rei em nossas vidas, no entanto, o rei mortal deve inspirar a criatividade em outros também. Um homem que está acessando o arquétipo Rei entende que seu poder e influência no mundo, aumenta à medida que ele capacita os outros a viver para o seu pleno potencial5.
Lealdade, honra, um coração diposto, não posso pedir mais do que isso
Thorin Escudo de Carvalho

Assim, uma das caracteristicas da energia do Rei é a benção. A benção é um evento psicológico ou espiritual. O bom rei sempre é o espelho e a confirmação de quem é merecedor. Faz isso vendo-os _ literalmente, nas audiências no palácio; e psicologicamente, notando e reconhecendo o verdadeiro valor deles. O bom rei sente prazer em notar e promover os homens bons a posições de responsabilidade em seu reino. Realizava audiências não para ser visto, mas para ver, admirar e encantar seus súditos, premiá-los e presta-lhes homenagens. Ser abençoado nos traz enormes consequências psicológicas. Existem estudos que mostram que acontcem realmente alterações químicas no nosso corpo quando nos sentimos valorizados, elogiados e abençoados1.



Você sabe o que? Eles são a base de fãs de suporte mais adorável que eu poderia desejar, e eles estiveram lá por oito anos, e eu não posso agradecê-los o suficiente, porque eles realmente seguem o meu trabalho6.
Os jovens, hoje em dia, estão carentes das bênções de homens mais velhos, das benções da energia do Rei. Por isso é que eles não conseguem, como se diz, "encontra-se. Não precisariam fazer isso. Precisam é ser abençoados. Necessitam ser vistos pelo Rei, porque se o forem, alguma coisa dentro deles vai fazê-los encontrar-se. Esse é o efeito da bênção, ela cura e integra. É o que acontece quando somos vistos, valorizados e concretamente recompensados por nossos autênticos talentos e capacidades1.
Quais são as carecterísticas do bom Rei? Quais são as qualidades dessa energia masculina amadurecida?
O arquétipo do Rei na sua plenitude possui as características da ordem, do modelo sensato e racional, da integração e integridade na psique masculina. Estabiliza a emoção caótica e os "comportamentos descontrolados”. Estabiliza e centraliza. Traz a calma. E na sua característica "fertilizadora" e centrada, transmite vitalidade, energia vital e alegria. Apóia e equilibra. Defende o
a ordem interior, a integridade e o ideal. Traz tranqüilidade central quanto ao que somos, e a incontestabilidade e certeza essenciais da nossa identidade. Observa o mundo com olhar firme, porém bondoso. Vê os outros em todo o seu talento e valor. Homenageia-os e promove-os. Cuida deles e os orienta em direção à plenitude do ser. Não é invejoso, porque está seguro como Rei, do seu próprio valor. Recompensa e incentiva a criatividade em si e nos outros1.
Na sua incorporação e manifestação central do Guerreiro, ele representa o poder agressivo quando necessário, quando a ordem é ameaçada. Ele tem também o poder da autoridade interior. Conhece e discerne (o seu aspecto Mago), e se comporta segundo esse conhecimento profundo. Regozija-se conosco e com os outros (o aspecto Amante) e mostra esse prazer em palavras autênticas de louvor e em ações concretas que realçam nossas vidas1.

Referências
1. R. Moore & D. Gillette. 1993. Rei Guerreiro Mago Amante- A redescoberta dos arquétipos do masculino. Editora Campus
2. Collider – Richard Armitage talks The Hobbit
3. Japanese Premiere: press conference
4. Richard Armitage is Thorin in “The Hobbit: An Unexpected Journey” (Opens Dec 12)
5. The Four Archetypes of the Mature Masculine: The King
6. Marilyn Denis – CTV Canada, Interviews Richard Armitage
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