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Sonhar é acordar-se para dentro.

Mario Quintana

Os sonhos são como portais para o nosso mundo interno. Essa é uma leitura que faço do meu sonho em Sydney. Há inúmeros símbolos e mensagens neste sonho. Alguns eu compreendo e  parte dessa compreensão, eu compartilho com vocês. Alguns são segredos que ainda guardo comigo. Como sempre você é bem vindo para compartilhar o seu pensamento!

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Leia antes: Sonho em Sydney

1. Cada mulher manifesta ao longo de sua vida as diferentes faces da Deusa, a energia feminina. No sonho essa energia feminina surge primeiramente como a  Anciã, que representa a  parteira, a Bruxa, a Mulher Sábia, pois ela conhece o oculto e o mundo espiritual. É a Rainha dos Mistérios e também a Deusa da Cura. Ela rege os finais, o desapego, o conhecimento, as transformações e a morte. No sonho o chamado para lidar com a face oculta da Deusa é tão forte que eu apareço como a Rainha da Noite, vestida num longo vestido negro. O significado da cor preta é mistério, proteção, e controle sobre si mesmo. No entanto, como uma amiga me lembrou, o negro também pode revelar as nossas vulnerabilidades e medos. Aqui está o significado da Rainha da Noite por Jessica Galbreth.

digitalizar0005A Rainha da Noite está prestes a embarcar em uma jornada. Ela olha de volta para nós para ver se estamos prontos para ir com ela. Embora ela não sabe para onde ela vai, ela sabe porque está indo. Ela busca sabedoria e está disposta a aventurar-se no desconhecido para encontrá-la. Ela envolve-se com um manto preto, a cor da noite, mas embaixo ela está nua, um símbolo de sua vulnerabilidade durante sua viagem ao mundo desconhecido. Seu companheiro é um corvo que irá  ajudá-la a decifrar as mensagens. Na mão ela carrega uma chave, que representa a finalidade de sua busca:  desbloquear as portas para o mistério. A Rainha da Noite nos  convida a visitar os cantos escuros da nossa alma e os reinos desconhecidos do mundo espiritual. Perceba que isso não é um passeio agradável pela floresta, com a luz solar derramando através das folhas. Em vez disso, nós somos solicitados  a descobrir a nossa alma e enfrentar os nossos medos.

2. Para equilibrar a energia feminina da Rainha, surge Richard Armitage,  representado o Rei em sua plenitude. Há uma atmosfera de sedução e cumplicidade entre o casal, que compartilham  segredos e intimidade.  Ele sabe para onde eu estou indo, e porque eu estou indo. Eu ouvi pela primeira essa canção de temperamento saturnino quando eu era muito jovem. Para mim, a música fala sobre a passagem do tempo. O tempo necessário para o despertar da consciência e o amadurecimento da alma. Para curar as nossas feridas e estarmos inteiros para um relacionamento. Acima de tudo ela fala sobre a espera, a espera do tempo do outro. Essa é a promessa em meu sonho: Você vai encontrar-me te esperando no jardim, quando você estiver pronta para isso. Caso não, me envie a chuva.

You will find me if you want me in the garden
unless it’s pouring down with rain
You will find me waiting through sping and summer
You will find me waiting waiting for the fall
You will find me waiting for the apples to riped
You will find me waiting for them to fall
You will find me by the banks of all four rivers
You will find me at the spring of conciousness

3. A porta simboliza o local de passagem entre dois estados, entre dois mundos, entre o conhecido e o desconhecido. A porta se abre sobre um mistério. Mas ela tem um valor dinâmico, psicológico; pois não somente indica uma passagem, mas convida a atravessá-la. É o convite à viagem rumo ao desconhecido.

image_thumb1_thumb4. Eu deixo a Deusa em sua fase anciã e me transformo  na  donzela, a semente do vir a ser. Eu volto no tempo, aos meus dias de universidade e o meu mundo é um lugar colorido e cheio de sonhos.  Eu trago aqui as palavras de uma amiga, porque eu não posso me expressar tão bem quanto ela: “Eu era basicamente uma mulher jovem feliz,  feliz,  ambiciosa, mas tamém ansiosa  para  aprender e  experimentar coisas novas. Quando somos jovens há um mundo de possibilidades abertas para nós.  Eu posso ter tudo e ser o que eu quiser.  Eu vou encontrar um emprego, o emprego certo, e eu vou ser grande para ele. Minha pesquisa irá sempre me fascinar. Eu sempre vou te amar.” Então, eu me encontro com essa outra versão de mim mesma. Uma versão que fez escolhas diferentes das que eu fiz. Eu tenho um sentimento de luto por todas as escolhas que eu não fiz, por todos os sonhos desfeitos ou não realizados, pela perda dessa versão de mim mesma. Mas,  “o que me chuta o estômago é a lembrança súbita da saudade que eu sinto por esse tipo de relacionamento aliviado com o universo e o destino.”  No entanto, a água do mar lava os meus pés, me livrando de todas as culpas que carregamos por nossas escolhas e do peso dos nossos sonhos desfeitos.

Marine-otters-swimming-on-top-of-wat5. A lontra simboliza a energia feminina em seu perfeito equilíbrio. Ela vive na terra, mas sua morada é sempre próxima a água. Os elementos Terra e Água são os elementos femininos por exelência. A lontra está sempre em movimento e é bastante curiosa. Com seu espirito alegre e aventureiro, a Lontra considera que todos em sua volta são seus amigos, até que eles provem o contrário. Esses traços de caráter são as características de uma lado feminino bem equilibrado, o nosso lado que permite que os outros penetrem em nossas vidas sem que tenhamos suspeitas nem preconceitos. A lontra nos ensina que a energia feminina bem equilibrada não é ciumenta nem maliciosa, é um espirito de irmandade, sempre feliz em compartilhar a sua boa sorte, bem como em desfrutar a boa sorte dos outros. A lontra nos ensina que num relacionamento amoroso, é importante nutrir e apoiar o outro sem compromenter a sua própria individualidade.

6. O final do sonho faz referência ao conto muito antigo que trata da coisa mais importante para a alma: a volta ao verdadeiro lar, o retorno ao seu próprio ser. A história geralmente se intitula “A Mulher-foca” ou Selkie-o, Pamrauk, a pequena foca. Eu a li pela primeira vez no livro de Clarisse Pinkola Estés, Mulheres que correm com os Lobos, no conto intitulado Pele de foca, pele de alma (A volta ao lar: O retorno ao próprio Self). A história nos fala de onde realmente viemos, do que somos feitas e de como todas nós precisamos, com regularidade, usar nossos instintos e descobrir o caminho de volta ao lar. Ela nos fala da perda da alma selvagem em virtude da ingenuidade, da percepção falha quanto às motivações dos outros, da inexperiência em projetar o que poderia acontecer no futuro, da falta de atenção a todas as pistas do ambiente. A pele na história não é tanto um objeto mas a representação  de um estado de sentimento  e de um estado de ser, um estado que é coeso, profundo e que pertence à natureza feminina selvagem. Obrigado, Richard, por me ajudar a voltar para casa!

The song is “Sealwoman/Yundah” by Mary Mclaughlin

Shadow of dream, ancient mystery
Oh how I long for your sweet caress
Oh how I long for your gentleness
Torn between sea mists and solid land
Nights when I’ve ached for a human hand
I’ll come to you when the moon shines bright
But I must go free with the first streak of light
Over the waves you call to me
Shadow of dream ancient mystery
Oh how I long for your sweet caress
Oh how I long for your gentleness

7. Os pescadores e os golfinhos tem a ver com culpa e medos. No momento, eu tenho uma enorme tarefa pela frente, a minha própria jornada rumo a Erebor. A simbologia do golfinho pode ser lida em  “Sonho de Golfinho”, e fala principalmente sobre manter o ritmo. O meu inconsciente  tomado pela culpa referente a  energia gasta nesse mundo “Richard Armitage”  e pelo medo de que isso pode ocasionar a perda de Erebor, me envia imagens terríveis.  Como no sonho, eu irei prestar atenção as “coisas terríveis”  no momento oportuno, ou seja, quando elas acontecerem, e se elas acontecerem.

Obrigada por ler!

Ana Cris

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Ontem antes de dormir eu estava ouvindo  a música The Garden, de Einsturzende Neubaten, enquanto lia as últimas notícias do dia sobre Richard Armitage (Sinto decepcioná-lo leitor, mas eu não leio sobre a crise econômica mundial antes de dormir, nem sobre a situação da Síria!). Então, fui visitar o blog de Servet, e um sorriso se colocou no meu rosto ao ver a gentileza dela ao citar os meus dois últimos posts. Eu cliquei em “Eu desejo que essa fosse a sua cor” para rele-lo não como a autora do texto, mas como um leitor externo, para tentar captar o seu sentimento. Finalmente, eu visitei alguns blogs amigos que ela indicou em seu post, lendo sobre as expectativas deles de irem encontrar Richard Armitage em Sydney, num evento oferecido pela PopcornTaxi,  em  Hayden Orpheum, Cremorne. Eu me sinto feliz por eles! Como o evento é do outro lado do mundo, não há como  eu ir. Mas uma garota pode sonhar…

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Eu ando pelo hall de um hotel em Sydney. A luz tênue, o teto alto e a presença de inúmeros vidros refletem a sofisticação do local e lhe conferem uma atmosfera de   mistério.  Caminho sozinha, sem pressa, vestindo um longo vestido preto, que possui uma pequena cauda, que se arrasta sinuosamente pelo chão. Eu tenho as  minhas costas nuas, mas meu cabelo,tumblr_mm0mjaj2k81qir6buo1_1280 desce até minha cintura numa cascata negra, como as asas de um corvo. Eu sou uma mulher adulta, consciente de minha feminilidade e poder (1). Eu ando em direção a Richard Armitage, que está sendo aguardado para uma coletiva de imprensa. Ele está perfeito em sua jaqueta de couro preta e barba bem feita. Um homem adulto, maduro, na plenitude de sua energia masculina.  Nós nos cruzamos, e  viro levemente a cabeça oferecendo a face, e olhando para o chão. Seu ombro bloqueia parcialmente a minha passagem e  ele me segura suavemente pelo  braço, sussurando em meu ouvido: Você vai me encontrar se você me quiser no jardim, a menos que você me envie a chuva (2). Meus ombros deslizam contra o seu ombro, e minhas mãos tocam sua cintura,  em seguida eu me afasto dele. Eu sorrio  discretamente e sigo em direção a  porta externa (3).

imageAo atravessá-la um dia luminoso e cheio de vida se abre a minha frente. Pessoas ido e vindo num dia pleno de luz, mas não de trabalho. Eu  sou novamente jovem, em meus vinte anos, vestindo um vestido florido em tons rosas, pouco acima dos joelhos,  tênis brancos e uma jaqueta jeans (4). Meus cabelos tem a sua cor natural, castanho claro  e eu carrego alguns livros comigo.  Eu estou em Sydney, e eu não posso acreditar nisso! Eu abro um sorriso pleno de ponta a ponta da orelha.

Eu vejo uma feira de artesanato numa praça central  no meio da cidade. Eu me dirijo para lá a passos largos. Ando entre as inúmeras bancas, observando os artigos que são vendidos para os turistas. Então,  vou para uma praça onde artistas vendem seus quadros. Eu me vejo numa galeria de arte ao ar livre, passando de quadro em quadro por sua paleta de cores. Os quadros voam em minha direção e eu me vejo entrando em paisagens coloridas, campos verdes, céus azuis, flores multicoloridas. É como se a cidade se tornasse um quadro de Monet. Eu avisto o Opera House Sails no outro lado da praça, mas o mar nos separa. No entanto, há  passarelas estreitas ou pontes na superfície   que são caminhos para que as pessoas possam atravessar o oceano a pé.

Eu tiro o meu tênis e começo a andar sobre uma delas. Por todos os lados há o mar profundo e  as pequenas ondas molham os meus pés (4). Ao longe, há uma barco de pescadores, que oferecem cabeças cortadas de golfinhos, que eles vendem aos turistas para atrair tubarões.  Eu penso que isso é uma coisa horrível, mas resolvo não pensar a respeito até o momento oportuno (7). Eu me sento por um instante nas passarelas para tentar ver as lontras, meus dedos riscam a água chamando-as. Eu espero…

Aos poucos um casal de lontras se aproxima de mim (5). Elas deslizam através da água azul claro. Suas acrobacias parecem espontâneas e enérgicas a medida que eles nadam juntos num balé aquático sincronizado, porém mantendo suas rotas de natação individuais. Eu me deito na passarela esticando os meus braços na água para tentar passar meus dedos em seus pêlos lustrosos. Elas vem a superficie e soltam o ar em meu rosto, respingando água. Como uma criança eu solto uma gargalhada e tento me proteger da água. Eu passo minhas mãos em seu pêlo sedoso e elas mergulham de volta ao mar, desaparecendo.

ARKive image GES032353 - Marine otter

Nesse momento, eu encontro uma velha amiga (4). Nós nos abraçamos felizes e eu pergunto o que ela está fazendo em Sydney. Ela diz que estava fazendo um intercâmbio para ingressar na universidade, mas casou-se, teve filhos, e ficou na Austrália. Eu falo que ótimo, e eu realmente estou feliz por ela, mas sinto uma certa tristeza em meu coração, que  não deixo transparecer em meu rosto.   Ela me pergunta o que estou fazendo em Sydney. Bom, eu digo que estou a passeio, pois eu não consegui fazer o intercâmbio na Austrália, com o qual eu tanto sonhara, mas eu tinha ingressado  no doutorado no Brasil, num  projeto ótimo, e estava muito animada com  isso. Nos nos abraçamos e nos despedimos desejando o melhor para cada uma.

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Então, eu chego ao jardim que cerca a Opera House Sails, eu caminho lentamente para um banco onde um homem sozinho está sentado. Um suspiro sai do meu peito, Richard Armitage. Eu sorrio para ele e caminho em sua direção. A cada passo, os anos da minha vida vão se somando, e eu me torno novamente a mulher adulta que sou.  Enquanto me aproximo ele me diz: Você conseguiu, você está no local que você sempre sonhou! E me estende o braço, oferecendo-me um manto negro. Eu sento ao seu lado, deitando minha cabeça em seu peito e lhe digo: Obrigado, meu querido, por me devolver a minha pele de lontra (6).

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                                Interpretação: Sonho em Sydney-Parte II

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Na dimensão dos sonhos, eu e minha prima estávamos num mar azul cristalino, quase sem ondas. Mergulhavamos no azul infinito e em intervalos regulares retornavamos a superficie para respirar. Num desses mergulhos, avisto um golfinho, e sinalizo para a minha prima, que irei tentar me aproximar dele. Eu nado lentamente, diminuindo a distância entre nós. O golfinho se aproxima, cortando a  superfície da água, e eu toco o seu nariz levemente com a ponta dos meus dedos. Eu sorrio para minha prima, que está distante de nós.

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Abel Tasman National Park, Nelson, Nova Zelândia (Photo: Ana Cris)

Então mergulho, e tento seguir o golfinho, que nada  rapidamente, indo cada vez mais fundo. A cor da água continua cristalina e eu me perco  no meio das bolhas  de ar caóticas que surgem ao meu redor. Eu nado sem direção através delas,  mas elas não oferecem nenhuma indicação do paradeiro do golfinho.  No entanto, adentrando águas cada vez mais profundas eu consigo localizar o golfinho,  e resolvo me aproximar dele.  Ele nada lentamente, e eu consigo tocar o  seu  corpo, percebendo, então,  que uma de suas nadadeiras está presa por uma rede de pesca.

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Golfinho-rotador (Stenella longirostris), Fernando de Noronha, PE – Brasil
(Photo: Camila M Câmara)

Eu volto para a superfície e conto para minha prima que o golfinho está preso numa rede e devemos obter ajuda. Ela me conta que há uma equipe de TV que está filmando os golfinhos, e que eles dizem que não há nada que pode ser feito por ele. Eu digo para ela que isso é uma imensa bobagem. Então volto para o golfinho, e penso comigo mesma: Bom, isso é um problema que somente nós podemos resolver. Ele parece concordar. Assim, eu começo o difícil trabalho de solta-lo da rede, nadando ao seu lado, cada vez mais profundamente. Eu sinto medo, o que acelera a liberação do ar, e consequentemente eu perco o ritmo respiratório. No entanto, eu  finalmente  o liberto, e ele nada livremente, enquanto eu retorno rapidamente à superfície para respirar. Eu acordo com uma crise de asma e toco o golfinho celta que tenho tatuado no meu ombro direito.

Golfinho
Golfinhos na barraNa respiração rítmica me ensina a fluir com a vida
A unir mente, corpo e espírito,
em paz nos dois mundos que me encontro.

Boto-cinza (Sotalia guianensis), Barra do Paraguaçu, Bahia, Brasil (Photo: Instituto de Mamíferos Aquáticos)

O golfinho emerge do mundo das águas para nos ajudar a nos conectar com a parte mais profunda e contemplativa do nosso ser. Eles vão a superfície para respirar o ar, que representa o intelecto e mergulham de volta nas qualidades emocionais dos corpos dágua que o cercam. Ele cria seu próprio ritmo vital ao nadar em meio às ondas, emergindo a intervalos regulares para respirar e submergindo novamente, mantendo o fôlego enquanto permanecem embaixo d’água. Assim, o golfinho é o guardião do sopro sagrado da vida e nos ensinam a modular nossas emoções pelo ritmo da respiração.   São animais altamente inteligentes, que interagem  com o seu ambiente por  meio da ecolocalização; habilidades que representam  suas qualidades de comunicação psiquica.  Eles nos ensinam a modular  nosso som interno, juntamente com a respiração, para alcançar nossos desejos. Quando um golfinho aparece em nossa vida ele nos convida a prestar atenção aos ritmos da natureza, das marés, do nosso corpo e do nosso padrão energético e de comunicação. 

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Boto-cinza (Sotalia guianensis), Barra do Paraguaçu, Bahia, Brasil

(Photo: Instituto de Mamíferos Aquáticos)

DSC08576_thumb[3]Deilf, meu golfinho celta, surge da Dimensão dos Sonhos  para me guiar no mar do meu mundo interno. Seu nado rápido e sem direção, produzindo inúmeras bolhas de ar indicam que o envolvimento em muitas idéias e projetos podem sobrecarregar a psique e levar à desorganização e improdutividade. Ele me convida a restabelecer o  ritmo interno, evitando o excesso de indulgência, que pode me levar a um comportamento irresponsável e imprudente. Comportamentos, que por sua vez, podem manifestar-se em apego as ilusões e falta de foco. Ele me lembra que se não desenvolvermos um ritmo para atingir nossos objetivos, podemos sucumbir a sentimentos de depressão e auto-recriminações, mergulhando em emoções negativas que nos imobilizam numa rede de pesca. É importante compreender o poder do ritmo em nossas vidas, estando atento as nossas escolhas e compromissos, modulando nossas emoções para alcança-los. Envolvendo-nos em atividades criativas que são nutritivas, ao invés daquelas que causam a depleção da nossa energia vital. O golfinho me convida a mergulhar fundo nas energias emocionais e   canaliza-las  para um resultado produtivo, estabelecendo o ritmo respiratório e obtendo o sopro vital necessário para nadar nas águas da vida.

Espírito do Golfinho
Respire comigo
Ajude-me a conecta-me com o Sopro Divino
Maná do Universo.

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É muito mais fácil imaginar um lugar bonito em um dia chuvoso do que imaginar um triste. É um fato simples, frequentemente esquecido, que as pessoas podem criar algo bom apenas por pensar assim. Um devaneio é um presente tão rico como qualquer outro. Como Afer Ventus, o vento da África, ou Eurus, o vento leste, Boreas, o vento do Norte ou o gentil Zephyrus, a imaginação é livre e pode escolher e criar a sua própria jornada. Como em todos os sonhos, nós alcançamos o ideal, e Caribbean Blue1 representa um sonho.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Eurus…

… Afer Ventus…

Abri os olhos e vi o vasto oceano. O vento que vinha do mar me beijava o rosto com suavidade, enquanto meus cabelos balançavam de um lado a outro, algumas vezes encobrindo meus olhos.

… assim o mundo vai e volta

com tudo que você sempre conheceu1.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

As ondas banham as minhas pernas, apagando os meus passos na areia, lavando com suas águas os anos da minha vida e as escolhas dos dias passados.  Uma nova tela, clara e límpida surge a minha volta,  trazendo a promessa de um novo nascer do Sol.  Após o inverno é tempo de despertar, anuncia a brisa marítima.

… Boreas …

… Zephryus …

…ensinam-me a voar! Mostrem-me as montanhas, com as quais eu já não me atrevo a sonhar!

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

…Dizem que o céu lá no alto

é azul do Caribe…

Se eu pudesse mergulhar no azul-mar dos seus olhos,  na quietude e na paz silenciosa que emana deles, eu aproveitaria a beleza desse mar sem fim, para mergulhar dentro de mim e  encontrar a determinação calma de ser quem eu sou.  Aprendendo a manter forte o núcleo da minha individualidade, com respeito próprio, aos outros e as demais formas de vida.

Se houvesse ao menos um ser humano  naturalmente sincero, honrado e nobre. Se houvesse ao menos um ser humano essencialmente bom.  Se tudo que você sonhou tivesse se transformado em ouro1. Eu poderia acreditar que o céu lá no alto é azul do Caribe.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

… Zephryus… 
         … Africus…

Com a tua respiração amena, suave e compassiva, derreta o gelo que se acumulou à volta do meu coração. Traz de volta a tua vitalidade e alegria de viver, ensina-me a inocência e a confiança! Ensina-me que tudo o que é verdadeiramente forte, também é gentil e sábio3.

… Eurus… 
          …Afer Ventus…

Ventos vindos além do horizonte, ensinam-me a conhecer a Paz que se segue ao esforço, e a Liberdade que emana à nossa volta como um manto a fluir nos ventos. Mostrem-me o caminho para além do medo, para além da morte, ensinam-me a sabedoria de uma vida bem vivida3.

… Boreas 
… que traz a Sabedoria da idade e do tempo. Abençoa-me com a força de resistir às tempestades. Ensina-me a gratidão, a beleza da Terra que acorda após o inverno3.

… Eurus… 
Afer Ventus… 
… Boreas 
Zephryus… 
… Africus.

Ventos que trazem a instrospecção e a contemplação. Apontem-me o caminho da cura física, o poder da transformação e da introspecção. Unir-nos dentro de mim para que  eu possa encontrar o equilíbrio e a plenitude. Elevem-me ao céu infinito3.clip_image005

Anoitece, a lua que surge  no céu é Lua Azul4. Vasta e infinita, bela e majestuosa, existindo para além de todo o conhecimento e entendimento.

Mãe querida, dá-me coragem para trazer o brilho do meu verdadeiro SER ao mundo, ensina-me humildade e auto-estima, para poder nutrir o brilho de todos a minha volta3.

Sentada nas pedras,  esperando que os ventos elevem aos céus minhas preces, o seu rosto surge diante de mim. E eu não sei por quê, meus pensamentos desaparecem como lágrimas da lua. E na infinitude do seu olhar,  eu posso acreditar que o céu lá no alto…

É azul do Caribe.

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photos: Ana Cris

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Referências e Notas

1. Carribean Blue – Performed by Enya, composed by Roma Ryan

2. Caribbean Blue – SHEPHERD MOONS – notes by Roma Ryan

3. Esta oração é inspirada na invocação as sete direções presente na tradição Seneca, sendo que a invocação dos ventos e dos mundos de cima, de baixo e de dentro são transversais a muitas tradições antigas à volta do Mundo.

4.  É chamada de Lua Azul, a segunda Lua Cheia dentro do mesmo mês. É um momento propício para trabalhar o eu interior, a religiosidade, a intuição e potencializar os poderes psíquicos. Representa a prosperidade e a abundância como um todo.

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Sonhos e simbolos

O processo de autoconhecimento tem inúmeros caminhos. Às vezes queremos contar a nossa história, compartilhando assim a nossa sabedoria. Às vezes, as histórias nos chegam como sonhos, colocando-nos em contato com outros mundos. Vovó Lua me dizia que as histórias precisam ser contadas para que possamos aprender com elas a nossa própria história. “É isso que as histórias fazem. Elas diferem dos conselhos pelo fato de que, quando você toma conhecimento delas, elas se tornam um produto da sua própria alma. É por isso que elas curam você (Alice Walker).“

A história dessa semana me veio através da música Blue Pail Fever, de Woven Hand. Alguns versos de David E. Edwards se destacavam da letra como por vontade própria e se uniram as imagens de Guy of Gisborne, me contando a sua história de amor não realizado com Marian.

Ao terminar o texto, Donzela Branca, uma tristeza me invadiu a  alma. “Não, Guy, essa não é a história que queremos contar.“ Salvei o texto para reescrevê-lo mais tarde. Então,  como Guy of Gisborne, me deixei cair à deriva no sono. E outra história me veio.

Estávamos eu e minha sobrinha Carol (acredito que a Carol represente a minha donzela corajosa e aventureira nesse sonho), viajando pelos Estados Unidos, quando descobrimos que Richard Armitage estava filmando na cidade onde iriamos parar. Resolvemos ir ao seu encontro para tentar conhece-lo. Estamos num lugar cheio de águas termais e cachoeiras  e somos informadas que após as filmagens ele irá tomar o nosso ônibus de excursão.digitalizar0001 

(À direita, Richard Armitage, Comic-on, 2012.  À esquerda, Pohutu Geyser, Rotorua, Nova Zelândia, Photo Ana Cris).

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Há inúmeros turistas e nosso ônibus parece um uma estação de trem em Machu Picchu, não há bancos, apenas mochilas e sacos de dormir espalhados no chão, onde se juntam inúmeros jovens. Eu e Carol estamos lá sentadas entre nossas mochilas esperando a chegada de Richard. Ele entra no ônibus vestindo uma camisa preta e uma calça jeans escura, como a que ele vestia no Comic-On. Sua barba ainda está lá. Ele se deita no chão do ônibus e nós estamos sentadas num apoio um pouco acima dele.

(Esperando o Trem da Morte, Peru, Photo Ana Cris)

imageEu o observo, enquanto ele dorme. Meus olhos percorrem o seu corpo. E eu vejo que em seu peito nu,  há inúmeras tatuagens. Símbolos que desconheço e que diferem das tattos de Lucas North. Isso me fascina e desperta a minha curiosidade, pois não esperava que ele fosse tatuado. Então, eu olho para a parte superior de suas pernas. E novamente encontro novos símbolos, desenhos tribais indígenas típicos da etnia Karajás. E uma voz ressoa em minha mente dizendo: Leia os símbolos1, Ana.

Então eu desperto, e por um momento,  lamento que não me recordo quais eram os símbolos que eu vi em seu peito.

Lembro-me do texto que escrevi antes de dormir e relei-o. Há tantos símbolos na história de Guy e Marian, contada pelos versos de Woven Hand. O touro, a Donzela Branca e a espada. Eu lembro do meu sonho. Leia os símbolos, Ana. Eu os leio e eles me contam uma nova história muito mais antiga que Vovó me contou.

To be continued

1. Nota

Tatuagens indígenas sul-americanas

A pintura corporal é simbolicamente importante para diversos grupo indígenas sul-americanos. Os desenhos possuem significado (relacionados à sua cosmologia) e sua elaboração segue um design  próprio, obedecendo regras estéticas e culturais. Em geral pode-se definir três ordens ou domínios: a natureza, a cultura e o sobrenatural.

Alguns dos padrões mais comuns são listras pretas e faixas nos braços e pernas. As mãos, pés e rosto são pintados com um pequeno número de padrões representativos da natureza, especialmente fauna.

Similar designs are still worn by women today.Para os índios sul-americanos, as tatuagens podem fornecer aos seus usuários poderes específicos atribuídos aos espíritos que foram incorporados neles. Por exemplo, um sapo colocado no ombro ou no braço está relacionado a um grupo de mestres espirituais do totem dos sapos que nos ensinam a louvar nossas lágrimas para purificar nossa alma.

O xamã Tuiarajup diz que “em meus sonhos espirituais, cada espírito  dá um símbolo ou um glifo diferente para o nome   que se tornará a tatuagem que irei colocar no corpo. Cada símbolo tem um espírito ligado a ele, e às vezes o espírito do nome aparece diante de mim. Você sabe, esses espíritos também têm tatuagens em seus corpos, e mesmo se você morrer e não ter sido tatuado, o espírito vai lhe dar todas as tatuagens que você merece, dependendo de como você viveu a sua vida”.

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Wonderwall

“The meaning of that song was taken away from me by the media who jumped on it.  It’s about an imaginary friend who’s going to come and save you from yourself.”

Noel Gallagher

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(Photo by Sarah Kate Photography)

Hoje será o dia em que  eles irão jogar tudo de volta em você. E algo que você acreditava e contava com desandou. Uma crença deixou de ser verdade. Uma pessoa provou ser falsa. Um resultado ficou aquém da sua expectativa. Enfim, algo aconteceu, e tudo pelo qual você trabalhou  foi afetado de alguma forma. E o que aconteceu reverberou em seu mundo. A fundação foi abalada e tudo sobre ela caiu.

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Mas agora, você já deveria, de algum modo, saber o que deve fazer. Pois  as rodas que criam sonhos se mantem girando, apesar das tragédias. E a mesma energia que pode destruir  também pode  reconstruir algo, pois no meio de sonhos desfeitos, haverá sempre algo, que só você pode ver, e que lhe dará esperança.

(Photos by Todd Garner, Category six)

Então, talvez, você vai ser aquele que me salvará. Pois, no final de tudo você é meu wonderwall. E quando eu sinto que  o fogo do meu coração apagou. E que as minhas asas, que  normalmente me levam até grandes alturas, estão maltrapilhas e debilitadas.  Você me diz, que não acredita que ninguém não sinta o mesmo que você sente por mim agora. imageE ao ouvir a sua voz o mal tempo se dissipa.

E mesmo que  todas as estradas que temos que percorrer sejam tortuosas. E  que todas as luzes que nos levam até lá nos cegam. E  tudo o que acreditamos ser forte sejam apenas fios frágeis de uma  grande teia, moldando a nossa forma  de ver o mundo.  O que importa é estarmos juntos.

(Photos by Todd Garner, Category six)

Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer. Mas não sei como. Você me guia quando me sinto totalmente perdida ou quando preciso enxergar o próximo passo.  Eu o vejo saltar intrepidamente através dos limites do conhecido para enfrentar o desconhecido com confiança de que, quando chegar o momento, você terá os recursos necessários para enfrentar o mal tempo, e isso me inspira a enfrentar os meus próprios medos.

E  no meio do caos, sua risada traz de volta a alegria de estar vivo,  desfrutando o momento presente. E eu me sinto segura, pois sua calma e segurança, desperta a energia da estabilidade e da paz interior. Tornado-me tranquila mesmo quando as circunstâncias ao meu redor ficam turbulentas. Então, talvez, você vai ser aquele que me salvará. Pois, no final de tudo você é meu wonderwall.

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wonderwall

Penny Lane (Jane Birkin), Wonderwall (1968)

John Porter (Richard Armitage),  Strike Back

Referência

imageWonderwall é o título de um filme de 1968 do diretor Joe Massot, onde estrelou Jack MacGowran, Jane Birkin, Richard Wattis, Irene Handl, e Iain Quarrier. O filme é mais lembrado por sua trilha sonora, composta por George Harrison, dos The Beatle. O filme inspirou o nome da faixa  “Wonderwall” da banda Oasis.

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São 07h30min da manhã e como todas as manhãs estou atrasada para o trabalho. Enquanto me arrumo, ligo a televisão para ouvir a programação matinal, voltada para mulheres que trabalham fora. Sofisticada o nome do programa, e eu rio comigo mesma. Sofisticada? Eu ficaria satisfeita se conseguisse apenas estar acordada às 07h30min da manhã. Sofisticação, querida, deveria fazer parte da programação noturna. Eu me arrumo, enquanto a apresentadora, anuncia as atrações do dia. Algo em torno dos acontecimentos da semana, uma atração internacional e uma receita de culinária. Onde diabos foi parar a chave do carro? Me pergunto. Meu cão olha para a pilha de papéis ao lado da cama, sim lá está ela. Volto, então, para desligar a TV, antes de sair. E me deparo com Aidain Tuner, como Kili, Dean O’Gorman, como Fili e Richard Armitage caracterizado como Thorin em uma entrevista ao vivo para divulgação do filme The Hobitt - Uma Jornada Inesperada, a ser lançado em dezembro próximo.

by Teena

Como?! Meu cérebro explode numa exclamação. Como, Richard Armitage está no Brasil e não fico sabendo disso? Onde está a maldita chave do carro. Afago à cabeça do meu cão e digo para ele deixar a secretária eletrônica atender os telefonemas, para que ele não se aborreça tentando explicar aonde eu fui. Meu cão concorda comigo e deseja-me sorte.

Eu pego a estrada para o Rio de Janeiro, apenas 12 horas de viagem. A paisagem é incrível, montanhosa, coberta com remanescentes de Floresta Atlântica. Ao fundo o oceano Atlântico. Enquanto dirijo, penso que tudo isso é uma grande loucura, mas somente a viagem e a mera possibilidade de encontrá-lo já me deixam feliz.

Estaciono o carro, o estúdio já está fechado e é noite. Vejo três caras conversando, dois deles encostados num carro e um deles sentado no meio fio. Aidan e Dean, ainda estão caracterizados como Kili e Fili, mas Richard está de camisa preta, calça jeans, e sem barba, o cabelo um pouco comprido como na primeira temporada de Robin Hood. Os três conversam tranquilamente e eu me aproximo. Então, eles param  e me olham  sorrindo amistosamente. Devolvo o sorriso e meio encabulada prossigo, pois é tarde demais para voltar atrás.

Eu me apresento, iniciando a conversa dizendo que os vi no programa de manhã e resolvi dirigir por tantos quilômetros para encontrá-los. Dean me pergunta da onde vim, ele é muito simpático, mas minha atenção se concentra em Richard. Ele é simplesmente incrível. Como imaginei que ele seria. Digo que vim de Brasília, e Richard diz que isso é bastante longe. Então, respondo que eu já fui muito mais longe do que isso por causa dele.

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— Me explique isso. Ele pergunta curioso.

— Fui para Nova Zelândia no inicio do ano para encontrar você.

— Sério?! ele responde docemente.

— Sim.  Respondo, encabulada.

— Nunca fui tão longe assim por alguém em toda a minha vida — digo.

— Você tem que se arriscar mais! Ele diz sorrindo. Seu sorriso saindo no canto da boca e atingindo os seus olhos.

Eu retribuo o sorriso e digo:

— Eu me arriscaria mais se eu encontrasse no mundo pessoas como você. Ele ri alto, jogando sua cabeça para trás. E sua risada contagia a nós todos. Então nós conversamos sobre The Hobbit, Tolkien e Nova Zelândia.

O despertador toca são 08h00min da manhã, eu ligo a televisão, Ana Maria Braga e seu Loiro José começam a sua programação matinal. Pulo da cama, definitivamente, hoje,  não chegarei cedo ao trabalho. Que importância tem isso? Pego a coleira do meu cão e saímos para passear. Afinal, há alguém lá fora esperando por alguém exatamente como nós. Meu cão concorda comigo.

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É exatamente meia-noite e  tenho que preparar uma apresentação, sobre o projeto que executo, para ser apresentada, na quarta – feira, ao diretor da instituição onde trabalho. Amanhã,  eu tenho  uma reunião com o meu orientador  sobre os nossos artigos científicos. Na sexta-feira,  fui convidada a apresentar uma palestra, em comemoração ao aniversário de Brasília (52 anos), sobre  a pesquisa que eu desenvolvi em 2002, na primeira unidade de conservação da  cidade, que completou 51 anos.   Então essa semana eu estarei no olho do furacão! Mas nada disso ocupou a minha mente hoje!

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O que eu pensei hoje foi: eu preciso de um herói! Não, eu não preciso ser salva! Não por isso! Eu gosto de trabalhar no olho do furacão e as coisas simplesmente fluem melhor assim. Mas o herói é um arquétipo que  identifico em muitos personagens de Richard Armitage. Na verdade é um arquétipo presente inclusive na minha percepção de  Richard Armitage. Então, eu quero descobrir o que esse mito significa para mim. O que ele revela sobre mim.  Qual a sua mensagem?   O que esses personagens revelam sobre o meu momento pessoal? Sobre a pessoa que eu quero me tornar? Sobre os meus sonhos e desejos?  Joseph Campbell considera o mito a abertura secreta através da qual as inexauríveis energias do cosmo penetram na mente humana. Hum…

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Agora são 2:15 da manhã e  tenho que preparar uma palestra para quarta-feira. Eu abro o meu computador, e digito  no Google a frase “I need a hero”, resultando num vídeo da música “Holding out for a hero” interpretada por Bonnie Tyler.  As energias inexauríveis do cosmo tem um incrível senso de humor! Sim,  Bonnie, eu também quero saber Onde está Richard Armitage?

Where have all good men gone? And where are all the gods?
Where’s the street-wise Hercules to fight the rising odds?

Esta noite,  eu também preciso de um herói. E ele tem que ser…

He’s gotta be strong
And he’s gotta be fast
And he’s gotta be fresh from the fight
He’s gotta be sure
And it’s gotta be soon
And he’s gotta be larger than life!

E se não for pedir demais as energias  inexauríveis  do cosmo poderiam acrescentar ao meu herói um conhecimento sobre Ecologia da Paisagem e  Biologia Animal, afinal eu tenho uma apresentação na quarta-feira e na sexta eu tenho que…

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Viagens vistas como iniciação, ou seja, viagens feitas com a mente e o coração realmente abertos para permitir-se experimentar o que for que acontecer, podem ser altamente transformadoras. O de fora, o novo, o inusitado, o estrangeiro podem nos impactar e despertar dentro da gente esse mesmo novo e inusitado, aquilo que é nosso, mas até aquele momento nos foi estrangeiro. E, se a gente se colocar na posição de peregrino na vida, a viagem transformadora, pode ser tanto para o outro lado do mundo como em volta do quarteirão da nossa casa!

Cristina Balieiro

O Feminino e o Sagrado

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Há uma canção de Iggy Pop e Ricky Gardiner, The Passenger, regravada por Siouxie and Banshees, que junto com o texto de Cristina Balieiro, traduzem o sentimento que tenho sobre a minha viagem à Nova Zelândia. E faço minhas as palavras do ator Richard Armitage sobre a sua experiência nesse país: Os lugares que nós fomos e as coisas que nós vimos superou todas as nossas expectativas (Armitage, R. 2011).

Luís Pellegrini argumenta que se deve estimular a viagem no mundo exterior pelo simples fato de que, pelo menos nas etapas iniciais dos processos de iniciação, é muito mais fácil ver, experimentar e compreender no mundo objetivo de fora aquilo que na realidade acontece no mundo subjetivo de dentro. Isso é verdadeiro para mim. Foram nas viagens que fiz ao México, Peru e Chile, em momentos diferentes, onde inicialmente contemplei as minhas sombras ou tive insights sobre um novo caminho para a minha vida, iniciando assim processos de transformação interior que continuam até hoje. Interessante notar que nenhumas delas tinham tal objetivo. Longe disso, todas visavam exclusivamente o turismo. Em comum os países escolhidos como destino detinham paisagens de grande beleza cênica com uma diversidade biológica e cultural que os tornam únicos no mundo. A Nova Zelândia não foi uma exceção.

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Diferentes religiões nos ensinam que Deus está em todos os lugares, mas eu acredito que há lugares que nos chamam a uma reflexão mais profunda e propiciam uma maior conexão com o Divino. Há lugares que sensibilizam a alma, abrindo os canais de comunicação e desarmando as nossas defesas, facilitando assim a comunhão com o Grande Espírito. Para mim esses lugares sempre foram às florestas, os mares, os rios, os desertos. O importante é sentir. E eu sinto a presença de Deus quando encontro um animal selvagem, quando  ando na floresta ou quando contemplo uma montanha. Não há medo, não há solidão, não há aflição, pois Deus está realmente em tudo, inclusive dentro de mim. IMG_0859

No entanto, algo diferente aconteceu durante a  viagem a Nova Zelândia. Algo inteiramente novo para mim durante uma viagem iniciática. Talvez seja resultado da beleza sem igual das paisagens da Nova Zelândia, do contraste de suas cores, que vão do azul turquesa dos rios e mares, o verde dos campos, pincelados com tons de vermelhos, laranjas e amarelos de suas flores até o cinza e branco das montanhas, que despertam o encantamento na alma de qualquer visitante. Talvez seja reflexo do meu mundo interno, do ponto que estou na minha jornada. Mas o fato é que poucas vezes eu senti uma gratidão tão profunda e sincera pela vida, quanto a que senti durante toda a  viagem pela Aotearoa, que em Maori significa Terra da Grande Nuvem Branca. Uma gratidão à Deus, pela minha vida, por todos aqueles que cruzaram o meu caminho, por todas as coisas que me trouxeram até aqui e que me levarão mais adiante. Uma consciência profunda que toda essa beleza,  toda essa grandiosidade foi criada para mim, para você, para nós. Então, vamos cantar The Passenger, na voz de Siouxie e desfrutar do que é nosso:

Nota de Agradecimentos:

A todos aqueles que torceram, rezaram, mandaram pensamentos positivos para que a nossa viagem a Aotearoa fosse um sucesso meus sinceros agradecimentos. À minha irmã Cacau um agradecimento especial por ter confiado a mim e me presenteado com a companhia, durante a viagem, da sua filhota Carol. A minha mãe por tudo sempre. A Carol, a melhor companheira de viagem que alguém poderia desejar! A Camille por toda a aventura e companhia em Hobbiton e Auckland. A Rosangêla, da Nascimento Turismo, por todo o seu auxílio e atenção cuidadosa durante a fase de definição do roteiro e planejamento da viagem. Aos guias na Nova Zelândia, Mani e Margot, da Pacific Destinationz, que  sempre foram atenciosos e extremamente zelosos em cuidar das duas ovelhas desgarradas do grupo, atrás de mais uma foto ou simplesmente perdidas em contemplação. Em especial, a Margot pelos seus esforços em viabilizar todos os passeios extras que nos desejávamos, e não foram poucos, com extremo zelo e eficiência. Aos inúmeros amigos que fizemos na viagem, obrigada pela sua amizade, em especial ao casal argentino Graci e Dario. E por último, não menos importante, meus agradecimentos a Richard Armitage (The Hobbit) e Peter Jackson (Senhor dos Anéis e The Hobbit), que me trouxeram a inspiração para conhecer à Terra-Média.

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Vovó Lua sempre me dizia que há apenas dois mundos, o seu mundo, que é o mundo real e os outros mundos. Esses últimos são frutos da imaginação humana. Neles a realidade, o tempo e a verdade não são importantes. O importante é que esses mundos existem e dão significado ao seu mundo, e isso é tudo o que importa. Um desses mundos é o mundo dos sonhos. Esse mundo é povoado de inúmeros seres fantásticos e mágicos, como fadas, duendes e anjos, mas há também seres assustadores como fantasmas, bruxas, monstros e o bicho-papão. Mas o pior deles é o Tutu-Marambá, ou apenas Tutu.

Os Tutus não têm formas, são como sombras, e assim eles podem aparecer com a forma de qualquer bicho, como por exemplo, o jacaré, que passa a ser chamar jacaré-tutu ou simplesmente Cuca.cuca Vovó dizia que os Tutus são coisas nossas que ficam sem cuidado dentro da gente, coisas que não gostamos e que largamos num canto escuro bem escondido. Só que um dia eles começam a crescer. Eles às vezes gemem e gritam, e causam alguma dor, e por mais que você corra os Tutus parecem sempre te alcançar, mas geralmente nessa hora a gente acorda. Toda mundo acha que o melhor jeito de lidar com os Tutus é ficar bem quietinho debaixo das cobertas, apertar os travesseiros e nunca mais ir ao mundo dos sonhos. Mas vovó diz que não, que o nosso medo de enfrenta-los é que alimenta os Tutus, e eles ficariam tão grandes, tão feios e tão assustadores que até os fantasmas, as bruxas, os monstros e o bicho-papão ficam com medo deles!

Vovó diz que a melhor forma de lidar com os Tutus é a gente se abrir e cuidar deles, tentar entendê-los. Ela diz que eles gritam por que a gente grita tanto que eles acham que é assim que se conversa normalmente. E eles correm atrás da gente, porque a gente vive correndo deles e portanto eles não conseguem nos dizer o que eles querem. E depois que eles falam o que querem, eles geralmente vão embora. — Mas vovó, eles são tão feios, tão assustadores, eu dizia, e me enfiava debaixo das cobertas de novo. E vovó me colocava no colo e dizia basta você chamar o Murucututu, Mururucututu3que é uma coruja pequena da barriga amarela. A coruja dizia vovó com sua visão afiada enxerga no escuro coisas que os outros não conseguem. E por isso elas têm grande sabedoria. A coruja vai ajuda-la a enxergar com precisão como os Tutus são de verdade. E vovó me colocava no colo e cantava até que eu adormecesse e com a corujinha no meu ombro eu podia entrar no mundo dos sonhos, pois os Tutus já não eram nem tão feios e nem tão grandes!

References and Subtitles/ Referências e legendas

1. Richard Armitage read “I’m Not Going Out There!” by Paul Bright, on the BBC children’s channel CBeebies.

2. A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro, que foi imortalizada através da adaptação para a televisão da obra infantil de Monteiro Lobato, o Sítio do Picapau Amarelo.

3. Guy of Gisborne performed by Richard Armitage, Robin Hood. Serie TV (BBC) and Until it Sleeps performed by Metallica. Produced by Ana Cris. Images from Elvira. Software Pinnacle Studio HD.

4.  Murucututu-de-barriga-amarela/Tawny-browed Owl (Pulsatrix koeniswaldiana). Images from http://luis.impa.br/foto/birdindexframes/murucututu-de-barriga-amarela

5. Lucas performed by Richard Armitage, Spooks. Serie TV (BBC). Produced by Ana Cris. Images from http://www.richardarmitagenet.com/. Software Windows Live Movie Maker

6. Song from MAWACA. Allundé, Alluyá (African prayer lullaby song). Murucututu (Traditional Brazilian lullaby). As ‘mbiras’ africanas são usadas para acalentar crianças, pois têm um som suave e hipnótico. As duas canções de ninar "Allundé, Alluyá" e ‘Murucututu’ são interligados pelo instrumento conhecido como ‘kalimba’, que chegou ao Brasil pelas mãos dos escravos negros, sendo absorvida pela cultura indígena, ao qual passou a se chamado de sansa. "Allundé, Alluyá" pede proteção ao deus-sol para as crianças da tribo. Murucututu é o nome de uma pequena coruja brasileira, invocada pelas mães indígenas para dar sono às crianças. A canção "Murucututu" pede à coruja para deixar o menino dormir sossegado.

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