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Posts com Tag ‘sagrado feminino’

É muito mais fácil imaginar um lugar bonito em um dia chuvoso do que imaginar um triste. É um fato simples, frequentemente esquecido, que as pessoas podem criar algo bom apenas por pensar assim. Um devaneio é um presente tão rico como qualquer outro. Como Afer Ventus, o vento da África, ou Eurus, o vento leste, Boreas, o vento do Norte ou o gentil Zephyrus, a imaginação é livre e pode escolher e criar a sua própria jornada. Como em todos os sonhos, nós alcançamos o ideal, e Caribbean Blue1 representa um sonho.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Eurus…

… Afer Ventus…

Abri os olhos e vi o vasto oceano. O vento que vinha do mar me beijava o rosto com suavidade, enquanto meus cabelos balançavam de um lado a outro, algumas vezes encobrindo meus olhos.

… assim o mundo vai e volta

com tudo que você sempre conheceu1.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

As ondas banham as minhas pernas, apagando os meus passos na areia, lavando com suas águas os anos da minha vida e as escolhas dos dias passados.  Uma nova tela, clara e límpida surge a minha volta,  trazendo a promessa de um novo nascer do Sol.  Após o inverno é tempo de despertar, anuncia a brisa marítima.

… Boreas …

… Zephryus …

…ensinam-me a voar! Mostrem-me as montanhas, com as quais eu já não me atrevo a sonhar!

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

…Dizem que o céu lá no alto

é azul do Caribe…

Se eu pudesse mergulhar no azul-mar dos seus olhos,  na quietude e na paz silenciosa que emana deles, eu aproveitaria a beleza desse mar sem fim, para mergulhar dentro de mim e  encontrar a determinação calma de ser quem eu sou.  Aprendendo a manter forte o núcleo da minha individualidade, com respeito próprio, aos outros e as demais formas de vida.

Se houvesse ao menos um ser humano  naturalmente sincero, honrado e nobre. Se houvesse ao menos um ser humano essencialmente bom.  Se tudo que você sonhou tivesse se transformado em ouro1. Eu poderia acreditar que o céu lá no alto é azul do Caribe.

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

… Zephryus… 
         … Africus…

Com a tua respiração amena, suave e compassiva, derreta o gelo que se acumulou à volta do meu coração. Traz de volta a tua vitalidade e alegria de viver, ensina-me a inocência e a confiança! Ensina-me que tudo o que é verdadeiramente forte, também é gentil e sábio3.

… Eurus… 
          …Afer Ventus…

Ventos vindos além do horizonte, ensinam-me a conhecer a Paz que se segue ao esforço, e a Liberdade que emana à nossa volta como um manto a fluir nos ventos. Mostrem-me o caminho para além do medo, para além da morte, ensinam-me a sabedoria de uma vida bem vivida3.

… Boreas 
… que traz a Sabedoria da idade e do tempo. Abençoa-me com a força de resistir às tempestades. Ensina-me a gratidão, a beleza da Terra que acorda após o inverno3.

… Eurus… 
Afer Ventus… 
… Boreas 
Zephryus… 
… Africus.

Ventos que trazem a instrospecção e a contemplação. Apontem-me o caminho da cura física, o poder da transformação e da introspecção. Unir-nos dentro de mim para que  eu possa encontrar o equilíbrio e a plenitude. Elevem-me ao céu infinito3.clip_image005

Anoitece, a lua que surge  no céu é Lua Azul4. Vasta e infinita, bela e majestuosa, existindo para além de todo o conhecimento e entendimento.

Mãe querida, dá-me coragem para trazer o brilho do meu verdadeiro SER ao mundo, ensina-me humildade e auto-estima, para poder nutrir o brilho de todos a minha volta3.

Sentada nas pedras,  esperando que os ventos elevem aos céus minhas preces, o seu rosto surge diante de mim. E eu não sei por quê, meus pensamentos desaparecem como lágrimas da lua. E na infinitude do seu olhar,  eu posso acreditar que o céu lá no alto…

É azul do Caribe.

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photos: Ana Cris

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Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Referências e Notas

1. Carribean Blue – Performed by Enya, composed by Roma Ryan

2. Caribbean Blue – SHEPHERD MOONS – notes by Roma Ryan

3. Esta oração é inspirada na invocação as sete direções presente na tradição Seneca, sendo que a invocação dos ventos e dos mundos de cima, de baixo e de dentro são transversais a muitas tradições antigas à volta do Mundo.

4.  É chamada de Lua Azul, a segunda Lua Cheia dentro do mesmo mês. É um momento propício para trabalhar o eu interior, a religiosidade, a intuição e potencializar os poderes psíquicos. Representa a prosperidade e a abundância como um todo.

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Nossa Fé

O texto, Ipê-roxo, Pau D’arco Roxo, foi extraído do site Florais da Amazônia. Todos os anos, no  inverno (maio-agosto), ocorre a floração do Ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), uma árvore típica das matas de galeria e matas secas da savanna brasileira, localmente conhecida como Cerrado. A árvore também é muito utilizada em paisagismo de áreas urbanas. Assim, nessa época, as linhas traçadas por Oscar Niemeyer, espalhadas na capital federal,  ganham o colorido das suas flores, trazendo a cidade uma nova esperança.

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Nuvem de flores rosas

Foto tirada da janela do meu quarto (Photo by Ana Cris)

Durante a sua florada, eu acordo em uma nuvem de flores rosas, que me convidam para um novo amanhacer. Suas flores duram apenas  cinco a dez dias, lembrando-me que tudo nessa vida é efêmero.  Existe uma lenda da aparição de Nossa Senhora em seu tronco, o que faz dela uma árvore venerada pelo povos da floresta, sendo considerada capaz de curar qualquer mal do corpo e da alma. Elas atraem ainda, para a minha janela, uma gama de aves,  que preenchem o céu com seu colorido e  sons. Essa é minha árvore-mãe, aquela que me liga ao lar.

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Ipê-roxo, Pau D’arco Roxo

(Tabebuia impetiginosa, T. avellanedae)

Maria Alice Campos Freire e Isabel Facchini Barsé

Do alto da Floresta, derramo sobre a Terra meu olhar compassivo e em meu coração abraço todos os meus filhos com amor. Quando me expresso na flor e o brilho do sol ilumina minha cor violeta, toda a selva recebe minha irradiação e me reverência.

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Piúvas (Tabebuia heptaphylla) no Pantanal Sul, Brasil (Photo Raquel Juliano)

Meu grande clarão de luz violeta povoa a mata virgem em diversos pontos do plano elevado. Eu me situo na intercessão entre os níveis cósmico e planetário. Onde exerço minha nobre missão de mensageira. Elevo dos filhos da Terra as preces e o clamor, e os comunico aos ouvidos do Grande Mistério.

Do infinito intemporal me abasteço de respostas e as oferto aos filhos da terra sob forma de grande liberdade, compreensão superior e expansão de nobres sentimentos. A visão de minha majestosa beleza é simultâneamente forte e muito delicada. Ela penetra os campos profundos da alma e ali libera sua energia transformadora.

Beija-flor Tesoura (Eupetomena macroura) e o Ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa

(Photo by Flávio Brandão)

Da minha ação decorre paz, confiança e transmutação em amplo espectro. Eu sou um novo ponto de partida, a alvorada de um novo amanhecer. Sou capaz de nutrir a vossa fé até que ela possa gerar os frutos da prece coroada. E mais vos posso ofertar. A gratidão e o reconhecimento em substituição ao lamento e a dor. Da vossa fé brotará o vosso ser renascido e a Grande Mãe em mim manifestada, vos cobrirá de bençãos e as vossas chagas se transformarão em ensinamentos e dons.

Eu sou a manifestação da força feminina criadora e me derramo sobre os filhos da Terra.

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Tuim-de-Asa-Amarela – Periquito – Maritaca (Brotogeris chiriri chiriri) no Ipê-roxo

(Photo By Flávio Brandão)

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Floral de Ipê-roxo – Energia transmutadora. É a abundância de bençãos que podem ser captadas dos altos níveis e trazidas ao plano físico através dos atributos do feminino, da mãe criadora, nutridora e protetora de todos os seus filhos. Regenera e transmuta registros de traumas profundos, trazendo uma vitalidade luminosa à aura.

Ipê-roxo (Photo by Ana Cris)

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A vida de alguém é limitada; a honra e o respeito duram para sempre.

Miyamoto MusashiHobbitTrailer12

Thorin permanecia silencioso,  o brilho da espada reluzia em seus olhos, enquanto Elrond examinava as espadas que ele e Gandalf tinham trazido da caverna dos trolls.

—Essas são espadas antigas, espadas muito antigas dos Altos Elfos do Oeste, meus parentes. Foram feitas em Gondolin para as guerras contra os Orcs. Devem ter vindo do tesouro de algum dragão ou da pilhagem de algum orc, pois os dragões e os orcs destruíram aquela cidade há muito tempo. Esta Thorin, as runas chamam de Orcrist, Fende-Orc, na antiga língua de Gondolin, foi uma espada famosa (Tolkien, 2011).

Thorin ponderou essas palavras. — Vou guardar esta espada com toda honra — disse ele. — Que ela logo possa  fender orcs outra vez (Tolkien, 2011).

image—Um desejo que provavelmente será concedido em breve nas Montanhas, disse Elrond. Mas se você buscava era apenas uma espada  ela não permanecerá em suas mãos! Vai se perder e junto com ela perderá a você também. Esta espada traz as vivências, experiências e conhecimentos de todos aqueles que a portaram antes de você. O mais importante é saber por que e como empunhar uma espada de poder. Muito Elfos já a tiveram, ou talvez fosse mais concreto dizer que ela os teve, pois eles já se foram e a espada permanece. Como permanece o poder nela contido. Um verdadeiro Rei deverá usá-la com honra (Husseini, 2011)!

HobbitTrailer23.jpg— A honra não está em vencer o seu oponente com apenas um golpe, mas sim ensiná-lo a disciplina e o respeito com a superioridade moral (Husseini, 2011), disse Gandalf. Mas se você não estivesse à altura da sua missão, a espada não o teria procurado! A espada é sua! Anunciou Gandalf entregando Orcrist a Thorin. Ela o fará canal do poder necessário para restabelecer o Reino sob a Montanha, mas não o ensinará como fazê-lo.

imageEntão, Elrohir os interrompeu convocando-os para o Grande Salão onde havia música e uma  ceia magnífica os aguardava. Ambos os Senhores se retiraram. Thorin pretendia acompanhá-los, mas uma bela estátua de uma figura feminina (Fur, 2001) entre duas colunas, com  os olhos vendados e uma espada na mão chamou-lhe a atenção e Thorin reteve-se a  examiná-la.

De repente, qual não foi sua surpresa a estátua lentamente começou a se mover e uma voz melodiosa ressoou em sua mente. —Não preciso de espada, faço da minha calma e silêncio  a minha espada, ela disse. image

— Que truque é esse Elfa? Quem é você? perguntou Thorin visivelmente contrariado. Estava cansado de truques mágicos, cantorias de Elfos e conselhos não solicitados.

imageThemis, eu sou, mãe das Horas, das Moiras, das Hespérides, de Astrea, de Atlas e de Promometeu (Fur, 2001),  respondeu a estátua viva. E assim como a luz afasta a sombra, a minha espada é a força da vontade  que desponta  na consciência de todos os seres e penetra vigorosamente até as profundezas da mente inferior, guerreando contra  a escuridão e a ignorância, revolvendo e atraindo para o campo aberto da  consciência as partes adormecidas, inconscientes do  próprio ser, expondo-as ao exame impessoal da consciência(Zari, 2011). A mão de Thorin buscou sua espada, mas essa sumiu feito fumaça, surgindo nas mãos da Elfa ou estátua, fosse o que fosse, que a impunha em frente ao corpo. Um vazio tomou conta da mente de Thorin, tornando-o incapaz de mover-se e ele se viu em outra dimensão, num local onde nem o passado nem o futuro existiam. Nem o medo e o desejo, apenas o nada absoluto.

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— Essa, Anão, é uma espada de Poder e o seu poder é a  manifestação da vontade, disse Themis. imageSua ação pode ser a força que constrói, consagra e abençoa, mas também pode ser violenta ou destruidora, de acordo com a Suprema Lei. Seja uma ou outra a sua ação, ela expressa o poder em movimento e uma imposição de vontade. Por isso é a suprema expressão do espírito (Zari, 2011).

Thorin flutuava e ele  viu seu corpo à deriva num pequeno riacho que descia lentamente, desaguando em um lago azul esmeralda que ficava no fundo de um vale. Em sua borda uma fogueira ardia com labaredas altas e crepitantes. Dois Anões se portavam em lados opostos e no centro o aço de suas espadas se encontravam. A cada encontro um relâmpago surgia.

—A espada deriva do relâmpago, Themis disse.  — Ela concentra a sua força na ponta que consegue através da vontade consciente, penetrar as camadas obscuras e inconscientes de cada ser. Ela combate a escuridão, a inconsciência obscura e impulsiva que é expressa pela parte inferior da personalidade. Uma vez expostos ao campo da consciência, os impulsos primitivos e cegos da personalidade são combatidos incessantemente pela espada, que é a própria ação da consciência (Zari, 2011).

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Themis se aproximou dos guerreiros que lutavam e num giro rápido  decepou com sua espada a cabeça de um dos anões,  finalizando o movimento com a espada no coração do outro.  Thorin não temeu ser o próximo a sentir a frieza da lâmina, pois  um guerreiro  não teme nem a morte nem a vida.  A espada de Themis girava em suas mãos e embora sua boca não se movesse, sua voz era clara aos ouvidos de Thorin, e ela disse: — A espada sabe  quando é a hora certa para agir. Por isso ela é também a Lei; ela é a força criadora e é a ação direta da vontade do Pai. Você Thorin teve a honra necessária para deixar a espada embainhada quando muitos a usariam. Você teve a honra necessária para sacar a

imageespada diante da morte certa, mantendo-se fiel aos seus princípios e ao seu Povo, imagequando muitos se deixaram tomar pelo terror, que é campo fértil para a traição. Assim, Eu, Themis, lhe confio essa Espada e que o Poder de Justitia prevaleça nos fatos e acontecimentos de sua vida. Thorin recebeu Ocrist  de volta a suas mãos e nesse momento Balin veio ao seu encontro.

— Thorin. O que você está fazendo aqui sozinho olhando para essa estátua? Todos o esperam! Venha, vamos nos reunir aos demais!

— Hoje não, não estou para conversa. — Thorin respondeu secamente ainda tentando se ajustar a realidade que o cercava.

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— Vamos Thorin, não é bom ficar sozinho por muito tempo, com a barriga vazia e a mente inquieta. imageDaqui a pouco você verá esta estátua em movimento no lugar onde Céu e Terra se encontram e aí sim tudo estará perdido! Vamos, pelos menos coma alguma coisa.

Thorin balançou levemente a cabeça, recusando a oferta.  Balin o fitou examinando o seu semblante e riu, dizendo: — Oh, é tarde demais! Nem Gandalf nem Elrond poderão traze-lo de volta. Nem mesmo Aulë. Você está perdido, Thorin para o mundo das Valier!

Thorin sorriu levemente, se dirigiu para o Salão, convencido que sua visão não fora nem um sonho nem uma alucinação, não importava o que todos iriam pensar, seu destino estava nas mãos de Justitia.

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Referências

Tolkien, J.R.R. 2011. O Hobbit.  editora wmf martinsfontes. são Paulo, Brasil.

Faur, M. 2001. O anuário da Grande Mãe. Guia prático de rituais para celebrar a Deusa. Editora Gaia. São Paulo, Brasil. Disponível somente em português.

Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil. Disponível somente em português.

Zari, 2011. O símbolo da espada. Disponível somente em português.

Para saber mais sobre Orcrist, recomendo Heirs of Durin 1 e 2

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Clarissa Estés (1994) em seu livro ‘Mulheres que correm com os lobos’ diz que se as mulheres querem que os homens as conheçam, que eles realmente as conheçam, elas têm que lhe ensinar algo do seu conhecimento profundo. O que realmente deseja a mulher? Essa é uma pergunta antiga, um enigma expressivo da natureza rebelde e misteriosa que todas as mulheres possuem. Clarissa diz que quando os homens demonstram essa disposição, é a hora de fazer revelações, porque uma alma perguntou. Eu não posso falar sobre todas as mulheres do mundo, todos os seus sonhos e desejos. Mas eu posso falar sobre mim, porque você me perguntou.

odinComo na lenda de Manawee, eu quero que você adivinhe o meu verdadeiro nome (Estés,1994). Não o nome com o qual eu me apresento no mundo. O nome do meu ser exterior, que vive à luz do dia, a quem todos conhecem. Eu quero que você diga o nome do meu ser interior, o nome da minha segunda natureza. O nome daquela que escreve, dança e que corre na companhia dos animais selvagens. Você já o fez, institivamente você me chamou pelo meu verdadeiro nome, e você abandonou todos os nomes com o qual eu me apresento no mundo externo. Você chamou meu nome e eu olhei para você. Você reconheceu a minha natureza dual, você a farejou e agora você só precisa se lembrar do meu verdadeiro nome. Como Manawee você chamou o seu aliado, o seu lado selvagem para descobrir o meu nome. Você chamou o seu cachorro, aquele que engloba em si tanto o amor carinhoso do melhor amigo, quanto à energia parcialmente selvagem do protetor. Dedicado, persistente e corajoso, o cachorro é a sua confiança no poder da intuição. Você me enviou o seu cachorro e eu afaguei o seu pêlo.

Mas há tantas distrações em seu caminho, há tantos petiscos e cheiroindianwomanandwolfs, e ainda há os ladrões de nomes, os saqueadores que tentam roubar os nomes sagrados, porque eles não possuem almas, são como sombras. Eu me pergunto se como o cão de Manawee num primeiro momento você irá se distrair e se esquecer de que você precisa descobrir o meu nome. E na dúvida, eu lhe digo que eu não sou a garota dos seus sonhos, e você me diz que eu não sei nada sobre os seus sonhos. E quando você diz isso, você sussurra o meu nome. Porque apesar de todas as distrações e de todos os saqueadores, com a sua fidelidade canina, você descobre o meu nome. E eu deito a minha cabeça em seu ombro, porque eu também conheço o seu verdadeiro nome, a sua natureza dual. Você diz que o tempo nos trará as respostas. Eu me pergunto se o tempo nos fará esquecer os nossos verdadeiros nomes. Você diz que não e com uma explosão de alegria que sacode todo o seu pêlo, você diz que será sempre o meu melhor amigo. E eu falo o seu nome porque eu simplesmente quero acreditar nisso.

Referências e Legendas

1. Estés, C. P. Mulheres que correm com os lobos.  Título Original Women who run with wolfes. Editora Rocco. Rio de Janeiro.

2. Figure of  Odin/ The Moon from Animal Divine. Tarot. Lisa Hurt. Foreword by Kris Waldherr

3. Figure de Indian woman available images Google.

4. Produced by Bccmee. Available in bccmees’s Richard Armitage Vids & Graphics http://fanvideos.wordpress.com/

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A Donzela

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Porque quando eu o vejo eu me sinto como a donzela, a semente do vir a ser. Tendo de volta a inocência da menina que brincava com suas bonecas e corria despreocupada pelos campos floridos. Sorrindo frente à chuva inesperada que desfaz o cabelo. Encantada com o colorido das asas de um besouro e o som do vento nas árvores. Despetalando flores de bem-me-quer, sem me preocupar com o amanhã, que é um tempo muito longínquo.

Porque quando eu leio as suas cartas eu me sinto como a donzela, o início da criação. Tendo de volta a minha criatividade. Desenhando castelos ou círculos infinitos no caderno de escola. Escrevendo poemas e recitando versos. Dançando músicas que aceleram o coração e inventando passos em frente ao espelho. Contando histórias de um mundo criado por mim, sem me preocupar com os que os outros vão falar.

Porque quando eu ouço a sua voz eu me sinto como a donzela, a caçadora. Tendo de volta todos os sonhos e esperanças. Independente e destemida, livre de toda estagnação. Aventureira e corajosa, correndo montanha acima, tendo como companhia apenas os animais silvestres. Almejando flechas certeiras em alvos inatingíveis. Cuidando de mim mesma. Completa e integrada com o meu eu, sem me preocupar com o meu corpo que é forte e jovem.

Porque quando nossas mãos se tocam eu me sinto como a donzela, dona de meu próprio mundo. Tendo de volta um coração compassivo. Estando de volta ao meu lar. Absorvida em pequenos trabalhos domésticos que me levam a meditação profunda e a uma intensa vivência interior. Concentrada no vai e vem da agulha, sem me preocupar com os fios do meu destino.

Porque quando você está aqui eu me sinto como a sua donzela, o seu par perfeito.

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