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Posts com Tag ‘paz guerreira’

Mãe!— disse ele, segurando-a gentilmente nos braços.
Quem me deu tal destino na vida, para o bem e para o mal?
Elizabeth Gaskell, Norte e Sul

Thorin1 estava num momento de quase quebra, diante de seu inimigo, Azog2,3. O sentimento de solidão o consumia. Se até mesmo Ilúvatar  nos abandonou por que prosseguir lutando contra nosso destino? Thorin pensou. Ele nem via Azog sorrir sarcasticamente à sua frente. Seu algoz não sabia, mas aquele era o momento ideal para a morte de Thorin, pois sua alma também morreria junto ao seu corpo2,3. E assim a vitória de  Azog seria completa. 

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O silêncio dominava a clareira, enquanto os anões lutavam por suas vidas, sendo quebrado apenas pelo crepitar das folhas secas no fogo e pelos urros dos Orcs. Thorin olhou ao seu redor e sentiu o pior dos sentimentos numa batalha invadir a sua alma: a impotência. Ele sabia que confrontar Azog montado em seu warg branco era um ato irracional que resultaria na sua morte, mas era impossível controlar o vulcão que erupia violentamente dentro dele. Era impossível perdoar a afronta sofrida, era impossível esquecer o seu reino perdido1,2,3.

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Então, Thorin levantou-se e partiu em direção a Azog para cumprir o seu destino. A Oscrist cintilava nas suas mãos, outorgado-lhe o poder de todos os guerreiros que a possuíram antes dele. Os olhos dos wargs vibravam de ansiedade, mas ao perceber que os dois líderes iriam entrar em um combate singular, eles pararam de avançar, cercando os anões numa trégua tácita. Ao reconhecer Thorin, o olhar de Azog faíscou de ódio. Não era um olhar humano, vinha das profundezas de uma existência de trevas. E assim,  ele saltou ferozmente contra o líder dos anões com seu warg2.

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Thorin caiu com o impacto da fera contra o seu corpo. O medo e o terror transpassaram o coração dos anões, que gritaram o seu nome. Thorin tentava se levantar para contra-atacar, mas não teve tempo, pois Azog montado em seu warg se movia com mais rapidez. Num ataque covarde, o cruel warg prendeu  Thorin entre suas mandíbulas. O líder dos anões se defendia como podia e com um golpe de Oscrist feriu o warg, que o lançou longe contra as pedras2.

Seu corpo alquebrado sorriu, e ele abriu os olhos físicos. Isso roubou o sorriso de Azog à sua frente, que não suportou o seu olhar. Teve vontade de matar Thorin naquele instante, mesmo compreendendo que isso não mudaria o fato de que o rei dos anões era um ser superior a ele.

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Mas, de repente, algo inusitado aconteceu e Thorin começou a enxergar através dos olhos de Destino, o Senhor das Águias2,3. E num voo cada vez mais alto eles afastavam-se desse mundo, conspurcado pelos wargs e orcs, em direção ao céu infinito. Thorin estava liberto! Mas isso não impediu que a tristeza tomasse o seu coração. Tinha lutado por uma boa causa, a melhor causa — o Povo de Durin — mas não concluíra a sua missão, o seu destino.

— Um longo caminho ainda o espera, Thorin, disse-lhe o Senhor das Águias.

—Mas, não o caminho para Erebor—Thorin respondeu —já compreendi que não sobrevivi à luta contra o maldito Azog.

—Ainda não é o seu fim, Thorin, pois há um trabalho a concluir. Um passo fundamental a ser dado.

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Thorin meditou sobre os erros de sua casa e a vingança contra o dragão que lhe fora legada e sentiu seu coração endurecer. Talvez fosse esse o seu destino, sonhar com tesouros perdidos, e cair diante de seus inimigos. Como se lesse os seus pensamentos o Senhor das Águias lhe disse:

—Veja, Thorin, o destino é como aquele rio que corre lá embaixo, que no seu nascimento tem algo de celeste, nas águas da chuva que se acumulam sobre a terra; e algo de terrestre, nos relevos e caminhos que dão vazão às águas formando o seu leito. Nas águas do destino, cada um escolhe como quer navegar, se para os lados, se contra corrente, se pelas bordas parando a cada curva e muitas vezes nela se detendo por tempo demasiado, ou pelo centro onde há mais fluidez. No entanto, o caminho para o Oceano é certo, apesar de todos os obstáculos que possam aparecer3.

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O destino está em suas mãos, Thorin! De tudo que lhe é ofertado cabe a você escolher o que quer e o que não quer. Tudo depende apenas das suas próprias decisões. Luz ou trevas? Amor ou ódio? Perdão ou vingança? Será sua escolha!E digo-lhe mais Thorin, não será uma escolha racional, porque você conhece os mecanismos da vida. Sua decisão será fundamentada nas conquistas do seu coração, onde simbolizamos as emoções. É lá que brotará o caminho que você seguirá. Cabe somente a você decidir4.

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—Nas águas do destino, minhas escolhas há muito já foram feitas. Thorin respondeu. Até ter de volta Erebor, eu nunca  irei esquecer. Nunca irei perdoar.   Lutarei enquanto viver para ter de volta o que é nosso por direito.

O Senhor das Águias concordou, e disse:

—Sim,  o seu destino se abre límpido como as águas daquele rio, mas ao navegá-lo siga a voz do seu coração, Thorin. E então, ele lentamente repousou o corpo do anão no pico de uma montanha. Gandalf  logo correu para ele. Ainda havia esperança, seus ferimentos não estavam além de seu conhecimento.

Thorin abriu os olhos. Sonhara apenas? Onde estava o Hobbit? Dawilin e Kili o ajudaram a se erguer. Foi então, que Thorin viu Erebor, a Montanha Solitária. O canto grave dos anões veio em sua mente.  E ele cantou a canção de sua vida, não totalmente escrita ainda2.

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Referências e Notas

1. Tolkien, J. R. R. The Hobbit or There and the Back Again. Harper Collins Childre’s Book.

2. Jackson, P. 2012. The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

3. Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil. Peace Warrior. Available only in Portuguese.

4. Paranhos, R. B. 2009. Atlântida – No Reino da Luz. Editora Conhecimento. Brasil. Available only in Portuguese.

5. Imagens from The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

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To Joanna

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Os Anões sempre foram um povo forte e corajoso. Muitos contos antigos afirmam que Durin, o mais velho dos Sete Pais nunca morreu, mas adormeceu por séculos em Khazad-dûm, nas Montanhas  Sombrias.1 Ao seu lado estão os seus leais companheiros, em suas montarias, com suas espadas, escudos e martelos. Dizem que quando lágrimas amargas verterem da face do Povo de Durin, eles irão despertar e Durin, o Imortal irá retornar na forma de um herdeiro da sua Casa. Mas na verdade, os anões acreditam que é o próprio Imortal que retorna, pois os anões têm muitas histórias e crenças entranhas a respeito de seu destino no mundo1. Eu era pouco mais do que um menino quando ouvi pela primeira vez a canção dos Cavaleiros Adormecidos2 na voz de meu tio Thorin, que por sua vez a ouviu de seu pai, que a ouviu do pai do seu pai, meu avô.

— Kili, meu filho, desça ao lago e veja as mulheres chorando lá. Então vá para o alto das montanhas e veja que os homens estão chorando também3.image

— Tio porque todas as mulheres estão chorando?

— Elas choram por seus homens.

—Então porque os homens choram?

—Eles choram de volta para elas.

—Tio, porque  todas as crianças estão chorando?

—Elas apenas choram, filho.

— Elas apenas choram, Tio?

— Sim, pois o verdadeiro choro ainda está por vir, quando seus pequenos corações forem realmente despedaçados. Ouça Kili, está é uma canção de lamento3. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Uma canção para que os Cavaleiros Adormecidos despertem no coração da Montanha.

Giewont está situado na área do Tatra National Park, Polônia (Parque Tatrzański Narodowy). No folclore polonês está associada a uma lenda sobre Cavaleiros Adormecidos, que vão acordar quando a Polónia estiver em perigo.

—O que é um cavaleiro?

— Um cavaleiro é um homem especial, um eleito entre mil homens, com o coração de ouro, é alguém que consegue ver as coisas de um patamar diferente daquele dos homens comuns. Nada, para o cavalheiro, é comum. O homem comum pensa antes em si do que nos outros, enquanto o cavaleiro pensa antes nos outros e nada em si4. Ele é o guardião dos fracos, o defensor dos desamparados e o servo dos indefesos. A esperança daqueles que não a encontram mais em seus próprios corações. O homem comum perde-se nas culpas e arrependimentos do passado e desespera-se antes as incertezas do futuro, esquecendo-se de que o momento é o presente. Já, o cavaleiro só vive o momento presente, pois sabe que tudo mais é ilusão. Sabe que cada aurora é única e especial, como cada folha que viaja embalada pelo vento e cada flor que se apresenta em seu caminho ou de vinho que lhe chega aos lábios e cada conversa que tem com um amigo ou com uma dama. Enfim, o cavaleiro vive cada momento, pois anda de braços dado com a morte e sabe que cada um pode ser o seu último momento4.

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—Isso não os assusta, Tio?

— Não, isso assustaria apenas a um homem comum, ao contrário, lhe dá força e coragem para viver a vida com toda a sua intensidade, porque quem não tem medo de morrer também não tem medo de viver4!

— Oh Tio, diga-me, você está chorando? Sua face parece úmida ao toque3.

— Sim, Kili, afinal está é a canção do choro. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Mas, eu não irei chorar por muito tempo3.

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E foi assim, enquanto seus braços batiam forte o martelo na bigorna e sua mente se perdia em imagens que apenas seus olhos contemplavam, que ouvi a lenda dos Cavaleiros Adormecidos pela primeira vez. Foi assim que  vi pela primeira vez os Cavaleiros Adormecidos despertarem e oferecerem a sua espada em sinal de lealdade ao seu Rei renascido, ao herdeiro da Casa de Durin. E foi naquela noite que o meu destino ao lado de Thorin, o Rei Sob a Montanha, foi selado e eu me tornei o seu mais jovem cavaleiro.

Nos dias atuais, os Filhos de Durin florescem e um novo Rei Sob Montanha os governa, mas no coração de Erebor, os Cavaleiros Adormecidos ainda escutam a canção chorosa que embalam o sono dos homens e mulheres enquanto eles dormem e aguardam silenciosamente o momento de despertarem novamente em seus corações.

Referências

1. Tolkien, J. R. R. 2009. O Silmarillion. Título original The Silmarillion. Editora WMF Martins Fontes, São Paulo, Brasil.
2. Texto baseado na
3. The Weeping Song. Lyrics by Nick Cave and Bad Seeds
4. Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil.
5. Images de

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

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A Paz é o Caminho
Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade.  A felicidade é o caminho.
A paz está no aqui e agora. A paz é o caminho.
Em cada respiração, em cada passo, a paz é o caminho.
Thich Nhat Hanh

Olhando para trás não me lembro da vitória final, do resultado alcançado, da satisfação em atingir um objetivo. Parece que tudo o que permaneceu foram as lembranças do caminho percorrido. As lembranças dos momentos em que me sentei ao sol e contemplei a paisagem como quem contempla a vida. image

Não me lembro daqueles que me esperavam apenas na reta final, mas sim daqueles que me apoiaram ao longo de toda a jornada, nos momentos em que meus passos vacilaram e a coragem pareceu fugir. Minhas recordações estão repletas de imagens daqueles que riram comigo, compartilharam minha comida, dividiram meus sonhos e escutaram com paciência meus anseios e dúvidas.

Minhas lembranças se prendem ao sorriso  das crianças que vi nascer e se perdem em céus estrelados, no colorido das flores, no som das folhas ao vento, na surpresa de encontrar um animal selvagem ao longo da estrada. Minhas recordações se expandem quando lembro dos rostos daqueles que cruzaram o meu caminho, dos olhares cúmplices, das conversas sussurradas ao entardecer, das esperanças compartilhadas.

imageA cada passo do caminho eu tomo consciência que eu não sou a mesma do início da jornada, nem serei a mesma amanhã. Ao longo do caminho eu me desfaço de mim mesma, das minhas velhas crenças e certezas. Eu sigo o caminho e  percebo que sou feita da mesma matéria das estrelas, que o sol que me aquece também aquece o pequeno inseto que se alimenta da flor em meu jardim, que aquece as asas do colibri e  ilumina o dia do artista do outro lado do mundo.

Então, a verdade que eu li nos livros me vem a mente. A verdade que não importa os objetivos alcançados, não importa chegar ao topo da montanha,  ao fim da linha. O que importa é a jornada em si.  Chegar não é tão importante quanto é caminhar. É a trilha que conta, é a jornada que modifica.

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O mistério que se encontra no final é o mesmo que se encontra no início e no meio (Husseine, 2011). Para a gota de chuva que cai das nuvens, não interessa o mistério do seu destino, mas a jornada no rio. Mas a jornada no rio pouco importa, se as gotas de chuva não estão juntas formando o rio.  Então o que realmente importa é estarmos juntos.

Em cada respiração, em cada passo do caminho, o que importa é estarmos juntos, conscientes de toda a beleza que nos rodeia, encantados com a magia que se expressa a cada momento vivido, admirados com a perfeição da vida.

Anol shalom4
Anol sheh lay konnud de ne um
Flavum
Nom de leesh
Ham de nam um das…
Liberdade Poderosa
Libertadora da alma
seja livre
Ande comigo
Através dos campos dourados

       Feliz Natal e um Próspero 2012!

Referências e Legendas

1.Husseini, Talal. 2011. Paz Guerreira. O caminho das Dezesseis Pétalas.

Editora TH, Curitiba. http://www.pazguerreira.com.br/o-livro

2. Fan video produzido por Ana Cris. Cenas extraidas do filme “O Gladiador”, dirigido por Ridley Scott. Distribuição DreamWorks (EUA) and Universal Studios (internacional). Música “Now we are free”, de Hans Zimmer and Lisa Gerrard. Software Vegas Pro 10

3. Figuras 1 a 3. Imagens tiradas do filme Gladiador, dirigido por Ridley Scott.

4. Lertra de Now we are free de Hans Zimmer and Lisa Gerrard.

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