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Posts com Tag ‘guerreiros da paz’

Mãe!— disse ele, segurando-a gentilmente nos braços.
Quem me deu tal destino na vida, para o bem e para o mal?
Elizabeth Gaskell, Norte e Sul

Thorin1 estava num momento de quase quebra, diante de seu inimigo, Azog2,3. O sentimento de solidão o consumia. Se até mesmo Ilúvatar  nos abandonou por que prosseguir lutando contra nosso destino? Thorin pensou. Ele nem via Azog sorrir sarcasticamente à sua frente. Seu algoz não sabia, mas aquele era o momento ideal para a morte de Thorin, pois sua alma também morreria junto ao seu corpo2,3. E assim a vitória de  Azog seria completa. 

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O silêncio dominava a clareira, enquanto os anões lutavam por suas vidas, sendo quebrado apenas pelo crepitar das folhas secas no fogo e pelos urros dos Orcs. Thorin olhou ao seu redor e sentiu o pior dos sentimentos numa batalha invadir a sua alma: a impotência. Ele sabia que confrontar Azog montado em seu warg branco era um ato irracional que resultaria na sua morte, mas era impossível controlar o vulcão que erupia violentamente dentro dele. Era impossível perdoar a afronta sofrida, era impossível esquecer o seu reino perdido1,2,3.

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Então, Thorin levantou-se e partiu em direção a Azog para cumprir o seu destino. A Oscrist cintilava nas suas mãos, outorgado-lhe o poder de todos os guerreiros que a possuíram antes dele. Os olhos dos wargs vibravam de ansiedade, mas ao perceber que os dois líderes iriam entrar em um combate singular, eles pararam de avançar, cercando os anões numa trégua tácita. Ao reconhecer Thorin, o olhar de Azog faíscou de ódio. Não era um olhar humano, vinha das profundezas de uma existência de trevas. E assim,  ele saltou ferozmente contra o líder dos anões com seu warg2.

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Thorin caiu com o impacto da fera contra o seu corpo. O medo e o terror transpassaram o coração dos anões, que gritaram o seu nome. Thorin tentava se levantar para contra-atacar, mas não teve tempo, pois Azog montado em seu warg se movia com mais rapidez. Num ataque covarde, o cruel warg prendeu  Thorin entre suas mandíbulas. O líder dos anões se defendia como podia e com um golpe de Oscrist feriu o warg, que o lançou longe contra as pedras2.

Seu corpo alquebrado sorriu, e ele abriu os olhos físicos. Isso roubou o sorriso de Azog à sua frente, que não suportou o seu olhar. Teve vontade de matar Thorin naquele instante, mesmo compreendendo que isso não mudaria o fato de que o rei dos anões era um ser superior a ele.

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Mas, de repente, algo inusitado aconteceu e Thorin começou a enxergar através dos olhos de Destino, o Senhor das Águias2,3. E num voo cada vez mais alto eles afastavam-se desse mundo, conspurcado pelos wargs e orcs, em direção ao céu infinito. Thorin estava liberto! Mas isso não impediu que a tristeza tomasse o seu coração. Tinha lutado por uma boa causa, a melhor causa — o Povo de Durin — mas não concluíra a sua missão, o seu destino.

— Um longo caminho ainda o espera, Thorin, disse-lhe o Senhor das Águias.

—Mas, não o caminho para Erebor—Thorin respondeu —já compreendi que não sobrevivi à luta contra o maldito Azog.

—Ainda não é o seu fim, Thorin, pois há um trabalho a concluir. Um passo fundamental a ser dado.

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Thorin meditou sobre os erros de sua casa e a vingança contra o dragão que lhe fora legada e sentiu seu coração endurecer. Talvez fosse esse o seu destino, sonhar com tesouros perdidos, e cair diante de seus inimigos. Como se lesse os seus pensamentos o Senhor das Águias lhe disse:

—Veja, Thorin, o destino é como aquele rio que corre lá embaixo, que no seu nascimento tem algo de celeste, nas águas da chuva que se acumulam sobre a terra; e algo de terrestre, nos relevos e caminhos que dão vazão às águas formando o seu leito. Nas águas do destino, cada um escolhe como quer navegar, se para os lados, se contra corrente, se pelas bordas parando a cada curva e muitas vezes nela se detendo por tempo demasiado, ou pelo centro onde há mais fluidez. No entanto, o caminho para o Oceano é certo, apesar de todos os obstáculos que possam aparecer3.

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O destino está em suas mãos, Thorin! De tudo que lhe é ofertado cabe a você escolher o que quer e o que não quer. Tudo depende apenas das suas próprias decisões. Luz ou trevas? Amor ou ódio? Perdão ou vingança? Será sua escolha!E digo-lhe mais Thorin, não será uma escolha racional, porque você conhece os mecanismos da vida. Sua decisão será fundamentada nas conquistas do seu coração, onde simbolizamos as emoções. É lá que brotará o caminho que você seguirá. Cabe somente a você decidir4.

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—Nas águas do destino, minhas escolhas há muito já foram feitas. Thorin respondeu. Até ter de volta Erebor, eu nunca  irei esquecer. Nunca irei perdoar.   Lutarei enquanto viver para ter de volta o que é nosso por direito.

O Senhor das Águias concordou, e disse:

—Sim,  o seu destino se abre límpido como as águas daquele rio, mas ao navegá-lo siga a voz do seu coração, Thorin. E então, ele lentamente repousou o corpo do anão no pico de uma montanha. Gandalf  logo correu para ele. Ainda havia esperança, seus ferimentos não estavam além de seu conhecimento.

Thorin abriu os olhos. Sonhara apenas? Onde estava o Hobbit? Dawilin e Kili o ajudaram a se erguer. Foi então, que Thorin viu Erebor, a Montanha Solitária. O canto grave dos anões veio em sua mente.  E ele cantou a canção de sua vida, não totalmente escrita ainda2.

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Referências e Notas

1. Tolkien, J. R. R. The Hobbit or There and the Back Again. Harper Collins Childre’s Book.

2. Jackson, P. 2012. The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

3. Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil. Peace Warrior. Available only in Portuguese.

4. Paranhos, R. B. 2009. Atlântida – No Reino da Luz. Editora Conhecimento. Brasil. Available only in Portuguese.

5. Imagens from The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

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To Joanna

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Os Anões sempre foram um povo forte e corajoso. Muitos contos antigos afirmam que Durin, o mais velho dos Sete Pais nunca morreu, mas adormeceu por séculos em Khazad-dûm, nas Montanhas  Sombrias.1 Ao seu lado estão os seus leais companheiros, em suas montarias, com suas espadas, escudos e martelos. Dizem que quando lágrimas amargas verterem da face do Povo de Durin, eles irão despertar e Durin, o Imortal irá retornar na forma de um herdeiro da sua Casa. Mas na verdade, os anões acreditam que é o próprio Imortal que retorna, pois os anões têm muitas histórias e crenças entranhas a respeito de seu destino no mundo1. Eu era pouco mais do que um menino quando ouvi pela primeira vez a canção dos Cavaleiros Adormecidos2 na voz de meu tio Thorin, que por sua vez a ouviu de seu pai, que a ouviu do pai do seu pai, meu avô.

— Kili, meu filho, desça ao lago e veja as mulheres chorando lá. Então vá para o alto das montanhas e veja que os homens estão chorando também3.image

— Tio porque todas as mulheres estão chorando?

— Elas choram por seus homens.

—Então porque os homens choram?

—Eles choram de volta para elas.

—Tio, porque  todas as crianças estão chorando?

—Elas apenas choram, filho.

— Elas apenas choram, Tio?

— Sim, pois o verdadeiro choro ainda está por vir, quando seus pequenos corações forem realmente despedaçados. Ouça Kili, está é uma canção de lamento3. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Uma canção para que os Cavaleiros Adormecidos despertem no coração da Montanha.

Giewont está situado na área do Tatra National Park, Polônia (Parque Tatrzański Narodowy). No folclore polonês está associada a uma lenda sobre Cavaleiros Adormecidos, que vão acordar quando a Polónia estiver em perigo.

—O que é um cavaleiro?

— Um cavaleiro é um homem especial, um eleito entre mil homens, com o coração de ouro, é alguém que consegue ver as coisas de um patamar diferente daquele dos homens comuns. Nada, para o cavalheiro, é comum. O homem comum pensa antes em si do que nos outros, enquanto o cavaleiro pensa antes nos outros e nada em si4. Ele é o guardião dos fracos, o defensor dos desamparados e o servo dos indefesos. A esperança daqueles que não a encontram mais em seus próprios corações. O homem comum perde-se nas culpas e arrependimentos do passado e desespera-se antes as incertezas do futuro, esquecendo-se de que o momento é o presente. Já, o cavaleiro só vive o momento presente, pois sabe que tudo mais é ilusão. Sabe que cada aurora é única e especial, como cada folha que viaja embalada pelo vento e cada flor que se apresenta em seu caminho ou de vinho que lhe chega aos lábios e cada conversa que tem com um amigo ou com uma dama. Enfim, o cavaleiro vive cada momento, pois anda de braços dado com a morte e sabe que cada um pode ser o seu último momento4.

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—Isso não os assusta, Tio?

— Não, isso assustaria apenas a um homem comum, ao contrário, lhe dá força e coragem para viver a vida com toda a sua intensidade, porque quem não tem medo de morrer também não tem medo de viver4!

— Oh Tio, diga-me, você está chorando? Sua face parece úmida ao toque3.

— Sim, Kili, afinal está é a canção do choro. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Mas, eu não irei chorar por muito tempo3.

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E foi assim, enquanto seus braços batiam forte o martelo na bigorna e sua mente se perdia em imagens que apenas seus olhos contemplavam, que ouvi a lenda dos Cavaleiros Adormecidos pela primeira vez. Foi assim que  vi pela primeira vez os Cavaleiros Adormecidos despertarem e oferecerem a sua espada em sinal de lealdade ao seu Rei renascido, ao herdeiro da Casa de Durin. E foi naquela noite que o meu destino ao lado de Thorin, o Rei Sob a Montanha, foi selado e eu me tornei o seu mais jovem cavaleiro.

Nos dias atuais, os Filhos de Durin florescem e um novo Rei Sob Montanha os governa, mas no coração de Erebor, os Cavaleiros Adormecidos ainda escutam a canção chorosa que embalam o sono dos homens e mulheres enquanto eles dormem e aguardam silenciosamente o momento de despertarem novamente em seus corações.

Referências

1. Tolkien, J. R. R. 2009. O Silmarillion. Título original The Silmarillion. Editora WMF Martins Fontes, São Paulo, Brasil.
2. Texto baseado na
3. The Weeping Song. Lyrics by Nick Cave and Bad Seeds
4. Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil.
5. Images de

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

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A vida de alguém é limitada; a honra e o respeito duram para sempre.

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Thorin permanecia silencioso,  o brilho da espada reluzia em seus olhos, enquanto Elrond examinava as espadas que ele e Gandalf tinham trazido da caverna dos trolls.

—Essas são espadas antigas, espadas muito antigas dos Altos Elfos do Oeste, meus parentes. Foram feitas em Gondolin para as guerras contra os Orcs. Devem ter vindo do tesouro de algum dragão ou da pilhagem de algum orc, pois os dragões e os orcs destruíram aquela cidade há muito tempo. Esta Thorin, as runas chamam de Orcrist, Fende-Orc, na antiga língua de Gondolin, foi uma espada famosa (Tolkien, 2011).

Thorin ponderou essas palavras. — Vou guardar esta espada com toda honra — disse ele. — Que ela logo possa  fender orcs outra vez (Tolkien, 2011).

image—Um desejo que provavelmente será concedido em breve nas Montanhas, disse Elrond. Mas se você buscava era apenas uma espada  ela não permanecerá em suas mãos! Vai se perder e junto com ela perderá a você também. Esta espada traz as vivências, experiências e conhecimentos de todos aqueles que a portaram antes de você. O mais importante é saber por que e como empunhar uma espada de poder. Muito Elfos já a tiveram, ou talvez fosse mais concreto dizer que ela os teve, pois eles já se foram e a espada permanece. Como permanece o poder nela contido. Um verdadeiro Rei deverá usá-la com honra (Husseini, 2011)!

HobbitTrailer23.jpg— A honra não está em vencer o seu oponente com apenas um golpe, mas sim ensiná-lo a disciplina e o respeito com a superioridade moral (Husseini, 2011), disse Gandalf. Mas se você não estivesse à altura da sua missão, a espada não o teria procurado! A espada é sua! Anunciou Gandalf entregando Orcrist a Thorin. Ela o fará canal do poder necessário para restabelecer o Reino sob a Montanha, mas não o ensinará como fazê-lo.

imageEntão, Elrohir os interrompeu convocando-os para o Grande Salão onde havia música e uma  ceia magnífica os aguardava. Ambos os Senhores se retiraram. Thorin pretendia acompanhá-los, mas uma bela estátua de uma figura feminina (Fur, 2001) entre duas colunas, com  os olhos vendados e uma espada na mão chamou-lhe a atenção e Thorin reteve-se a  examiná-la.

De repente, qual não foi sua surpresa a estátua lentamente começou a se mover e uma voz melodiosa ressoou em sua mente. —Não preciso de espada, faço da minha calma e silêncio  a minha espada, ela disse. image

— Que truque é esse Elfa? Quem é você? perguntou Thorin visivelmente contrariado. Estava cansado de truques mágicos, cantorias de Elfos e conselhos não solicitados.

imageThemis, eu sou, mãe das Horas, das Moiras, das Hespérides, de Astrea, de Atlas e de Promometeu (Fur, 2001),  respondeu a estátua viva. E assim como a luz afasta a sombra, a minha espada é a força da vontade  que desponta  na consciência de todos os seres e penetra vigorosamente até as profundezas da mente inferior, guerreando contra  a escuridão e a ignorância, revolvendo e atraindo para o campo aberto da  consciência as partes adormecidas, inconscientes do  próprio ser, expondo-as ao exame impessoal da consciência(Zari, 2011). A mão de Thorin buscou sua espada, mas essa sumiu feito fumaça, surgindo nas mãos da Elfa ou estátua, fosse o que fosse, que a impunha em frente ao corpo. Um vazio tomou conta da mente de Thorin, tornando-o incapaz de mover-se e ele se viu em outra dimensão, num local onde nem o passado nem o futuro existiam. Nem o medo e o desejo, apenas o nada absoluto.

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— Essa, Anão, é uma espada de Poder e o seu poder é a  manifestação da vontade, disse Themis. imageSua ação pode ser a força que constrói, consagra e abençoa, mas também pode ser violenta ou destruidora, de acordo com a Suprema Lei. Seja uma ou outra a sua ação, ela expressa o poder em movimento e uma imposição de vontade. Por isso é a suprema expressão do espírito (Zari, 2011).

Thorin flutuava e ele  viu seu corpo à deriva num pequeno riacho que descia lentamente, desaguando em um lago azul esmeralda que ficava no fundo de um vale. Em sua borda uma fogueira ardia com labaredas altas e crepitantes. Dois Anões se portavam em lados opostos e no centro o aço de suas espadas se encontravam. A cada encontro um relâmpago surgia.

—A espada deriva do relâmpago, Themis disse.  — Ela concentra a sua força na ponta que consegue através da vontade consciente, penetrar as camadas obscuras e inconscientes de cada ser. Ela combate a escuridão, a inconsciência obscura e impulsiva que é expressa pela parte inferior da personalidade. Uma vez expostos ao campo da consciência, os impulsos primitivos e cegos da personalidade são combatidos incessantemente pela espada, que é a própria ação da consciência (Zari, 2011).

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Themis se aproximou dos guerreiros que lutavam e num giro rápido  decepou com sua espada a cabeça de um dos anões,  finalizando o movimento com a espada no coração do outro.  Thorin não temeu ser o próximo a sentir a frieza da lâmina, pois  um guerreiro  não teme nem a morte nem a vida.  A espada de Themis girava em suas mãos e embora sua boca não se movesse, sua voz era clara aos ouvidos de Thorin, e ela disse: — A espada sabe  quando é a hora certa para agir. Por isso ela é também a Lei; ela é a força criadora e é a ação direta da vontade do Pai. Você Thorin teve a honra necessária para deixar a espada embainhada quando muitos a usariam. Você teve a honra necessária para sacar a

imageespada diante da morte certa, mantendo-se fiel aos seus princípios e ao seu Povo, imagequando muitos se deixaram tomar pelo terror, que é campo fértil para a traição. Assim, Eu, Themis, lhe confio essa Espada e que o Poder de Justitia prevaleça nos fatos e acontecimentos de sua vida. Thorin recebeu Ocrist  de volta a suas mãos e nesse momento Balin veio ao seu encontro.

— Thorin. O que você está fazendo aqui sozinho olhando para essa estátua? Todos o esperam! Venha, vamos nos reunir aos demais!

— Hoje não, não estou para conversa. — Thorin respondeu secamente ainda tentando se ajustar a realidade que o cercava.

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— Vamos Thorin, não é bom ficar sozinho por muito tempo, com a barriga vazia e a mente inquieta. imageDaqui a pouco você verá esta estátua em movimento no lugar onde Céu e Terra se encontram e aí sim tudo estará perdido! Vamos, pelos menos coma alguma coisa.

Thorin balançou levemente a cabeça, recusando a oferta.  Balin o fitou examinando o seu semblante e riu, dizendo: — Oh, é tarde demais! Nem Gandalf nem Elrond poderão traze-lo de volta. Nem mesmo Aulë. Você está perdido, Thorin para o mundo das Valier!

Thorin sorriu levemente, se dirigiu para o Salão, convencido que sua visão não fora nem um sonho nem uma alucinação, não importava o que todos iriam pensar, seu destino estava nas mãos de Justitia.

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Referências

Tolkien, J.R.R. 2011. O Hobbit.  editora wmf martinsfontes. são Paulo, Brasil.

Faur, M. 2001. O anuário da Grande Mãe. Guia prático de rituais para celebrar a Deusa. Editora Gaia. São Paulo, Brasil. Disponível somente em português.

Husseini, T. 2011. Paz Guerreira. O Caminho das Dezesseis Pétalas. Curitiba, Brasil. Disponível somente em português.

Zari, 2011. O símbolo da espada. Disponível somente em português.

Para saber mais sobre Orcrist, recomendo Heirs of Durin 1 e 2

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Os anos passaram. As brasas no coração de Thorin inflamaram-se à medida que ele meditava sobre as injustiças sofridas por sua Casa e a vingança contra o Dragão que lhe fora legada. Pensava em armas, exércitos e alianças enquanto seu grande martelo ressoava na forja; mas os exércitos estavam dispersos, as alianças rompidas e os machados de seu povo eram poucos. E uma enorme ira sem esperança o consumia quando ele golpeava o ferro rubro na bigorna (Tolkien, 2009).

Na escuridão do enorme salão Thorin ouviu o som por trás do som de seus golpes. Um som ritmado, que após alguns eternos segundos, se traduziam num silêncio. O silêncio que nasce da solidão do guerreiro. Era Balin.

— Chegou o momento de você realmente aceitar o seu destino Thorin, não tema o poder, pois quando nos encontramos com ele descobrimos que sempre fomos o poder. Não tema liderar, pois não só as pessoas que estão com você o necessitam, como você também necessita delas. Só encontramos nossa identidade quando efetivamente agimos em conformidade com o nosso destino (Husseini, 2011).

— Não temo o poder nem o destino,  respondeu Thorin. O poder é a ponte entre o Ser e a existência. É o que abre as portas para o destino. Para um homem de poder não existe o impossível, pois tem consciência de sua unidade interior e de sua própria imortalidade. O guerreiro que canaliza o poder se torna representante desse atributo divino na terra. A isso chamamos liderança (Husseini, 2011).

— Você teme não ser um líder? Perguntou Balin. Fosse outro a lhe dirigir essa pergunta teria sacado a sua espada e deferido o golpe fatal de sua ira, mas esse era Balin, o segundo anão em sua companhia, o anão que acompanhou o seu pai Thrain, quando esse partiu em busca do tesouro de Erebor e que nunca mais voltou. Assim, Thorin sabia que sua pergunta não era uma faca afiada visando ofendê-lo, mas tinha o objetivo apenas de penetrar em sua mente para conhecer os seus pensamentos.

— Um líder sempre toma a iniciativa e sabe que rumo seguir. Sempre utiliza o elemento surpresa e com carisma garante o êxito. O líder é como o sol, quando surge, o caos e as sombras se dissipam para a sua passagem (Husseini, 2011). Eu trago apenas a escuridão e o desejo de retomar o Reino de Erebor em meu coração, disse Thorin. Mas seus olhos ardiam como brasas e uma aura mágica resplandecia de todo o seu ser, iluminando o grande salão.

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Tomado pela emoção do que via, o velho-anão colocou sua espada aos pés de Thorin e disse: — Um líder é aquele que faz com que todos ao seu redor voltem a sonhar e a ter esperanças. Faz com que as pessoas se sintam protegidas, motivadas e valorizadas, sintam que suas vidas podem tocar o incomum, se vejam capazes de romper as  limitações e a mediocridade. Um líder encontra a resposta para todas as perguntas em sua própria alma, nada está além dele, sabe que a realidade do poder está dentro de seu círculo interno (Husseini, 2011). Você é o líder dos anões, Thorin, e eu o seguirei e servirei até o fim dos meus dias, pois só quem tem o poder de vencer dentro de si poderá vencer fora.

Thorin abraçou o velho amigo, sabia que suas palavras não buscavam lhe ensinar nada novo, muito menos lisongeá-lo, mas apenas lembra-lo do que sua alma já sabia. De que ele era o líder do povo de Durin, o Rei sob a Montanha.

Referências e Legendas

1. Tolkien, J. R. R. 2009. Contos Inacabados:de Númenor e da Terra-méda. Título original: Unfinished tales of Numenor and Middle-earth. Editora Martins Fontes Ltda.

2.  Husseini, Talal. 2011. Paz Guerreira. O caminho das Dezesseis Pétalas.

Editora TH, Curitiba. http://www.pazguerreira.com.br/o-livro

3. Imagens captadas a partir do  teaser disponibilizado por Peter Jackson para divulgação de seu filme The Hobbit. Fotos disponíveis em http://www.richardarmitagenet.com/

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O curador está dentro de cada ser que busca o seu aperfeiçoamento, quer seja emocional ou espiritual. Para curar os outros, temos que inicialmente curar a nós mesmos. Acessar as nossas feridas, os nossos medos e sombras e buscar a nossa cura. Quanto mais aprofundarmos o nosso conhecimento sobre nós mesmos, mais profundamente atingimos as nossas feridas e iniciamos a nossa jornada de transformar as nossas sombras em virtudes. Esse vídeo foi criado com essa intenção, a busca da cura, a busca do curador. Ele traz três figuras centrais presente na obra de Tolkien, os Cavaleiros Negros, também chamados de Nazgûl1, representando nossos medos,  Aragorn, representando o guerreiro interno e Arwen Undómiel, representando a força e intuição feminina.

Nessa cena do filme O Senhor dos Anéis – A sociedade do Anel, Frodo é ferido pelo Rei Bruxo de Angmar. O medo era a principal arma dos Nazgûl. Em sua luta pela vida Frodo chama em oração por Elbereth – um dos Valar que dizem escutar as súplicas daqueles que precisam. Então surge Aragorn que com fogo e espada luta contra os Nazgûl. A cena seguinte é a perseguição de Arwen pelos Nazgûl e sua luta para salvar a vida de Frodo. Cercada pelos Nazgûl, ela traz consigo o amor de Aragorn e a força e intuição feminina, que parece brilhar envolta dela na forma de uma luz branca. Quando ela cruza o rio, representando o limiar entre dois mundos, ela para a perseguição dos Nazgûl, enfrentando-os. Com sua espada, ela invoca os poderes das águas e de seu povo, derrotando assim os cavaleiros negros.

A provável origem dos Nazgûl como Cavaleiros Negros teria sido baseada num pesadelo2 recorrente de Tolkien resultado de seu encontro, durante a Primeira Guerra Mundial com a cavalaria alemã. Tolkien, cavalgando  um admirável cavalo de cavalaria, havia se perdido atrás das linhas alemãs e, imaginando que estivesse atrás de suas próprias trincheiras, seguiu em direçãoimage a um grupo de cavaleiros montados que descansavam à sombra das árvores. No entanto, à medida que se aproximava percebeu o seu erro, sem, no entanto, conseguir despistar a sua presença. Com isso iniciou-se uma perseguição feroz dos cavaleiros alemães a Tolkien, que devido a sua montaria ser mais veloz, robusta e acostumada a longas caçadas conseguiu escapar. Anos mais tarde, Tolkien transformava o seu medo numa das sequências mais emocionantes de seu livro O Senhor dos Anéis, e por que não dizer numa das sequências mais belas da A Sociedade do Anel, filme de Peter Jackson, baseado em sua obra. Provavelmente se naquele momento o jovem Tolkien não chamasse o seu guerreiro interior e lutasse por sua vida, ele não sobreviveria aos seus perseguidores. Igualmente se Tolkien não transformasse seus pesadelos em contos narrados em seus livros, ele provavelmente não seria o grande autor que ele estava destinado a ser.

Referências e Subtitulos

1. Para saber mais sobre os Nazgûl visite o site http://www.valinor.com.br/8439/

2. Narrativa encontrada no seguinte endreço http://duvendor.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=357

3. Foto de Tolkien, no seu uniforme militar, em 1916. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

4.  Fan video produzido por Ana Cris. Cenas extraidas do filme O Senhor dos Anéis- A Sociedade dos Anéis, produzido por Peter Jackson. Direitos autorais da Warner Bros. Música “The Knife In The Dark”, de Howard Shore.

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Sou Uhtred, filho de Uhtred, e esta é a história de uma rixa de sangue.

Essa é a história de como tomarei de meu inimigo o que a lei diz que é meu.1thorin-richardarmitage

É a história de como percorri o caminho das Dezesseis Pétalas2

e me tornei um guerreiro

na batalha eterna que ocorre nos corações dos homens, pois

a verdadeira guerra se trava dentro do ser,

a verdadeira paz é uma

          Paz Guerreira!2

O que é um guerreiro? Ele domina o nosso imaginário. Espada, coragem e honra. Honra significando nobreza da alma e desprezo pela maldade. O guerreiro nada teme porque ele se entrega a morte em batalha e o faz com dignidade. Ele aprende a lidar com o medo, conviver com ele e dominá-lo na parede de escudos. Escudo contra escudo. Onde há apenas o guerreiro, os seus irmãos de armas e a sua morte.

Video4-32Mas antes de tudo um guerreiro é um ser humilde. Ele não serve a si mesmo. Ele não serve a sua casa. Ele não serve a sua personalidade, a sua vaidade. Ele serve ao seu Mestre, cujos pés ele colocou a sua espada e fez um juramento de servir além de suas forças e com a pureza do seu coração (Hussein, 2011).

Ele serve a canção da espada cortando o falso, o errôneo e o ilusório. Bramindo os valores da alma que são a nobreza, bondade, verdade e justiça. Perante seus iguais ele é forte  e destemido. Sua conduta serve de exemplo para seus irmãos. Um guerreiro não foge dos combates que a vida lhe impõe, não foge nem da vida nem da morte, nem da dor nem do medo. Seu maior sacrifício é esquecer-se de si mesmo, para humildemente renascer como o líder, entregando-se ao seu destino de continuar lutando pelo ideal maior (Hussein, 2011). Para um guerreiro não há passado, apenas lições aprendidas no campo de batalha e não há futuro porque o futuro não existe. Existe apenas o presente, o momento a ser vivido, as ações que irão guarantir o seu  nome no livro dos Deuses.

Um guerreiro é o próprio fogo, transformando tudo ao em seu alcance, com a sua fé inabalável, sua força inesgotável e sua honestidade direta. Com seu magnetismo pessoal ele conquistar o respeito de seus  inimigos. Seu coração é como o Sol ilumina as trevas, traz soluções para os problemas e virtudes para combater os erros. Um guerreiro não teme o desconhecido (Hussein, 2011).

imageUm guerreiro compreende que ele serve a humanidade, que suas decisões influenciam o bem-estar da coletividade. Assim ele traz em seu coração humanidade e amabilidade. Suas ações são pautadas em uma profunda reflexão e discernimento, que são aliados importantes em sua jornada (Hussein, 2011).

Um guerreiro não teme assumir o seu lugar no mundo. Assumir a sua vocação, pois sabe que a sua vitória não está no mundo. Sua vitória está em sua alma. Porque a verdadeira batalha é travada nos corações dos homens, duelando contra a indeferença, o egoísmo e o orgulho. A verdadeira paz é um paz guerreira porque ela não se conforma com a injustiça, a falsidade, a corrupção, a irresponsabilidade e a ilusão.

O guerreiro está em cada um de nós, ele nos ajuda a desenvolver o nosso potencial, a vencer e dominar o nosso medo. Sua espada corta as nossas ilusões, separa o verdadeiro do falso, desfaz  o nosso orgulho. Ele nos chama a  assumir o nosso papel no mundo,  a aceitar a nossa vocação, a nos livrar dos desejos mundanos e aspirar o mundo ideal. Com força inabalável frente as adversidades ele nos ajuda a sermos aquilo que estamos destinados a ser, seres plenos, inteiros e senhores de seu destino.

Referências e Legendas

1. Cornwell, B. 2005. O Último Reino. Cronicas Saxônicas. Livro I. Editora Record, Rio de Janeiro.

2.  Husseini, Talal. 2011. Paz Guerreira. O caminho das Dezesseis Pétalas.

Editora TH, Curitiba. http://www.pazguerreira.com.br/o-livro

3. Richard Armitage como Thorin Escudo de Carvalho. Foto disponível em http://www.richardarmitagenet.com/

4 e 5. Imagens captadas a partir do quanrto video disponibilizado por Peter Jackson a partir de seu filme The Hobbit. Fotos disponíveis em http://www.richardarmitagenet.com/

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