Feeds:
Posts
Comentários

Arquivo da categoria ‘Sagrado feminino’

Oh Lord live inside me, lead me on my way
Lead me home, lead me home1

É hora de voltar ao lar. De voltar ao lugar que nos lembramos. Não importa quanto tempo passou, nós encontraremos o caminho. Atravessaremos a noite, passaremos por terras estranhas, por tribos desconhecidas, sem mapas e perguntaremos qual é o caminho a quem quer que encontremos na estrada2. Pois é hora de voltar ao lar, de retornar ao que é nosso por direito3.

Oh Lord in the darkness, lead me on my way
Lead me home, lead me home1

É hora de ir para casa. Não um lugar físico, onde se vive4, mas um lugar ao qual pertencemos. Um lugar que fica em algum ponto no tempo, não do espaço. Onde podemos nos sentir inteiros novamente2. Um lugar onde um pensamento ou um sentimento podem ser gerados, mantidos e acalentados em vez de serem arrancados de nós à força. Um lugar onde as pessoas nos entendem4. Isso é lar.

É hora de voltar ao lar. Um lugar onde não há só tempo para contemplar, mas também para descobrir o esquecido, o enterrado, o que está fora de uso. Um lugar onde podemos explorar os destroços, os danos sofridos e os tesouros que restaram. Contemplar nosso mapa de cicatrizes, e descobrir o que levou ao quê e onde iremos em seguida. Um lugar onde podemos imaginar o futuro2.

hometh3.1homeln4

homegg2.1homejt1.1

Gifs by Fabi                    

Oh, meu amor, leve-me para casa,  e faça desse lugar o seu lar5. O lugar onde tudo é como deveria ser, onde todos os ruídos parecem certos, onde a luz é boa e os cheiros acalmam em vez de nos deixar alarmados2. O lugar que nos proporciona equilibrio.  Isso é lar. Leve-me para casa é torne esse lugar suportável4. Um lugar que nos permite vivenciar o assombro, a visão, a paz, a despreocupação, a falta de exigências, a liberdade de ser quem nós somos2.

É hora de voltar ao lar.  Os clamores do mundo em sofrimento não podem ser atendidos por um única pessoa o tempo todo2. É preciso descansar das lutas diárias e do trabalho árduo. É preciso se afastar das solicitações dos demais. Deixá-los remarem o próprio barco.

É hora de voltar ao lar. Você vem comigo6?

Meu lar é sempre onde estou, meu lar está na minha mente, meu lar são meus pensamentos, meu lar é pensar as coisas que eu penso. Esse é meu lar. Meu lar não é um lugar material por ai… meu lar está na minha mente.
Bob Marley

Referências e Nota

Obrigada a cada um de vocês que com seu o tempo de leitura, comentários, links ou citações, tornam o La Loba um verdadeiro lar, e especialmente à Fabi por todo o seu talento e dedicação a essa casa, que já não é só minha, mas dela também!

1. Jamie Commons – Lead Me Home

2. Estes, C. P. 1994. Mulheres que correm com os lobos. Editora Rocco, Rio de Janeiro.

3. The Hobbit: An Unexpected Journey (2012) – IMDb

4. BBC One – Spooks

5. Robin Hood (2006 TV series)

6. BBC – Drama – North and South

Read Full Post »

No question that Guy of Gisborne is the character to turn to when work is treating one badly, is there?

me + richard armitage

Texto extraído de Mulheres que correm com os lobos

Clarissa Pinkola Estés

Todas as criaturas precisam aprender que existem predadores. Sem esse conhecimento,  seremos incapazes de nos movimentar com segurança dentro de nossa própria floresta sem ser devorado. Compreender o predador significa torna-se um animal maduro pouco vulnerável à ingenuidade, inexperiência ou insensatez. Nos contos de fadas e nas histórias o vilão simboliza essa força sinistra que deve ser reconhecido pelo que é: um aspecto da psique contrário à natureza da alma, que se opõe ao desenvolvimento da psique e que tenta eliminar todo o ânimo.

Uma força que se isolou do seu aspecto revitalizante e que precisa ser dominada e contida. Essa é uma verdade crucial que devemos reconhecer. Embora pudéssemos sentir compaixão por ele, nossos primeiros atos devem ser o do reconhecimento da sua existência, o de nos protegermos da sua devastação e, afinal, o de privá-lo de sua energia assassina.

image

Da mesma forma, no dia-a-dia, há uma quantidade de ladrões-de-alma e assassinos-da-consciência soltos por aí. O predador não sente e por isso não quer que sua vítima sinta. É exatamente essa a intenção do predador, pois o aspecto não redimido da psique não sente e, na sua inveja doentia de quem sente, ele é levado a um ódio cortante.

LOBO-GUARÁ Chrysocyon brachyurusNo mundo animal, os filhotes aprendem a reconhecer o predador através dos ensinamentos dos pais.  Entre os lobos, quando a mãe deixa os filhotes para ir caçar, os pequenos tentam acompanhá-la para fora da toca e segui-la pelo caminho. A mãe rosna, os amendronta e investe contra eles  até que eles voltem atabalhoadamente para à toca. A mãe sabe que os filhotes ainda não têm condição de pesar e avaliar outras criaturas. Eles não sabem quem é o predador e quem não é. Com o tempo, ela irá ensiná-los, com rigidez e eficácia.

À semelhança dos filhotes de lobos, nós precisamos de uma iniciação semelhante, que nos revele que o mundo interior assim como o mundo exterior não são sempre locais propícios. No entanto, muitas pessoas não chegam a receber os ensinamentos básicos a respeito dos predadores que a mãe loba dá aos seus filhotes. Sem a orientação amorosa dos pais, a criança certamente será uma presa prematura da vida, pois no início das nossas vidas, nosso ponto de vista é muito ingênuo, o que quer dizer que nossa compreensão emocional do que está oculto é muito tênue. Nesse estágio somos propensos a perceber apenas o que está às claras.
No entanto, nessa fase da nossa vida, não somos somente ingênuos quanto aos nossos processos mentais, mas também  somos facilmente seduzidos pelo prazeres do ego. Com extrema facilidade renunciamos a nossa alma selvagem seduzidos por doces sonhos de conforto, inúmeros prazeres, ascensão social, riqueza ou amor eterno e, assim nos lançamos a situações muito confusas.
image
Embora não se espera que a família,  professores e amigos sejam destrutivos para a criança mesmo quando sentem inveja, a verdade é que algum deles decididamente são destrutivos tanto de formas sutis quanto de forma não sutis. Mesmo tendo pais cuidadosos, a criança pode ser ensinada a não enxergar o predador e, em vez disso, a dourar todo tipo de esquisitice, quer seja agradável, quer não. Nesse sentido, o  treinamento básico para que as crianças, especialmente as meninas, “sejam boazinhas” faz com que elas ignorem sua intuição frente ao predador.  Imaginem uma loba ensinando seus filhotes a serem bonzinhos diante de uma cascavel. O pacto infeliz feito pela criança de ser “boazinha”, de nunca dizer não para ser amada com constância, não apenas não as prepara para reconhecer o predador, mas de fato são lições específicas para que se submetam  ao mesmo. Ter uma formação dessas dá enorme poder ao predador natural e as prepara para ser uma presa fácil para os outros predadores. No futuro, embora possa ser um predador externo que as prejudique e arrase a sua vida, o predador inato dentro da sua própria psique concorda com isso.image
Mas além de animais jovens e ingênuos,  o predador tem uma preferência pela caça que de certo modo apresenta a alma faminta, que sinta solidão da alma ou se apresente debilitada sob algum outro aspecto. Quando sentimos hambre del alma,  fome de alma, aceitamos alguma coisa,  qualquer coisa que nos pareça semelhante ao  que nos foi roubado.  Nessa situação, a pessoa arde de fome por qualquer coisa que a faça voltar a se sentir viva. Esse é o problema da privação. Se alguma coisa der a impressão de preencher o anseio, nós o agarraremos, sem fazer perguntas.
Como a alma faminta, os lobos sempre foram descritos como um ser perverso, devorador, que mata por matar, que nunca sabe quando parar. No entanto, é somente quando  um trauma atinge um lobo isolado ou a matilha como um todo que o seu padrão normal de comportamento se altera. Existem duas circunstâncias nas quais o lobo mata desenfreadamente. Nos dois casos, ele não está bem. Ele pode matar indiscriminadamente quando está com raiva ou cinomose. E ele pode matar indiscrimidamente após um período excessivo de fome. Igualmente, uma alma faminta pode ficar tão cheia de dor que a pessoa não consegue suportar mais e irrompe numa espiral  destrutiva.
image
Assim, para reconhecer o predador temos que aprender a reconhecer as  estratégias usadas por ele para  atacar a vitalidade da presa. Primeiramente, o complexo predatório, usando a voz do ego, ataca a nossa criatividade, nossas ideais e nossos sonhos. Segundo, o predador tem a capacidade de distorcer as percepções humanas e as compreensões vitais de que precisamos para desenvolver dignidade moral, amplitude de visão e uma ação solidária na nossa vida e no mundo.
Suas estratégias  consistem na difamação dos objetivos da sua vítima, no emprego de linguagem depreciativa para a descrição da mesma, nas críticas irracionais, nas proibições e nas punições injustificáveis. São esses os meios pelos quais o predador troca as mensagens vitalizantes entre a alma e a psique por mensagens letais que nos cortam o coração, despertam nossa vergonha e, o que ainda é mais importante, nos deixam inibidos para tomar as atitudes corretas.
 image
No nosso próprio meio psiquico recebemos constantemente mensagens trocadas pelo predador _ “sou bom nisso, não sou tão bom assim;  meu trabalho é profundo; meu trabalho é bobo, estou melhorando, não estou saindo do lugar, tenho coragem, sou covarde; tenho conhecimento, deveria ter vergonha de mim mesmo.”
Essa emboscada psíquica tem como objetivo abalar a fé, não só a fé em você mesmo mas no trabalho delicado e cuidadoso que você está realizando no inconsciente. Finalmente, o predador em seu ataque final nos mutilam. Ele mutila a nossa capacidade de sentir, ver e curar. Ele faz com que percamos a nossa capacidade  psíquica de aprender, de segurar, de ajudar a nós mesmos ou aos outros. É assim que todos os adiamentos dão origem ao ódio a si mesmo. Todos os sentimentos de vergonha são reprimidos e colocados de lado para se exacerbarem, todos os recomeços tão necessários e todos os finais já a muito atrasados não se realizam. Onde quer que o predador se esgueire e atue, tudo é descarrilado, demolido e decapitado.
vlcsnap-2013-04-10-23h16m06s119
Então  como frustrar  um predador? A tática básica de um predador é não ser detectado pela presa. Então o primeiro passo é aprender a farejar.  O que está por trás do visível? O que causa aquela sombra no meio da savana? Se existe algo de secreto, se existe algo de sombrio, se existe algo proibido é preciso que seja examinado. Aqueles que querem desenvolver a consciência perseguem tudo que fica por trás do que é facilmente observável: o gorjeio invisível, a janela suja, a porta que range, uma fresta de luz por baixo da soleira. Eles perseguem os mistérios até que a substância da questão lhes seja revelada.  Eles não tem  medo das trevas mais profundas da psique, de investigar o pior. Eles não tem medo de descobrir os corpos, as vísceras e os ossos.
Uma vez que a presa detecta o predador ela recua e dá a volta, ela mergulha no chão para escapar dele e ressurge inesperadamente às suas costas.  Essa é a manobra psíquica que devemos fazer para restabelecer o domínio da nossa própria vida. Assim, a presa pára para ganhar tempo,  espera a hora certa,  planeja sua estratégia e reúne suas forças interiores antes de realizar uma mudança externa. Nesse processo de enfrentamento do predador, não importa o quanto nos sentimos exaustos, para sobreviver nos precisamos nos forçar a seguir adiante seja como for, não podemos ceder à fadiga.
  
Num ambiente psicanalítico, o antídoto é a consciência dos nossos talentos e das nossas fraquezas, para que o complexo não consiga agir isoladamente. A análise, a interpretação dos sonhos, o autoconhecimento, a investigação, todas essas atividades são manobras táticas de recuar e de dar a volta. Elas são meios de mergulhar e vir à tona por trás da questão, vendo-a de uma perspectiva diferente. Desarmamos o predador ao enfrentar suas investidas com a proteção das nossas próprias verdades. Predador: Você nunca termina nada que começa. Você: Termino muitas coisas, sim.
Capturamos o pensamentos nocivos antes que eles cresçam o suficiente para nos prejudicar e os destruímos. Desarmamos o predador ao manter nossas intuições e instintos e resistindo à sua sedução. Enfraquecemos os ataques do predador natural levando à sério o que for verdade no que ele disser, trabalhando com essas verdades e ignorando o resto.
Por fim, o animal maduro, a alma selvagem não romantiza o predador. Ele sabe o que é íntegro, sabe o que necessita para prosperar, reconhece um predador ao ver um, e sabe o que fazer a respeito. Mesmo quando pressionados pelas mensagens culturais ou psíquicas mais deturpadas, mesmo com um predador à solta na nossa cultura ou na nossa psique individual, todas nós ainda podemos ouvir as instruções selvagens originais e agir de acordo com elas.
13_109.jpg

É isso que aprendemos quando cavamos até atingir a nossa natureza selvagem e instintiva, quando realizamos o trabalho da iniciação profunda e do desenvolvimento da consciência. Nós recebemos uma enorme capacitação através do desenvolvimento da visão, da audição, do ser e do fazer selvagens. Nós aprendemos a procurar o predador em vez de espánta-lo, ignora-lo ou de sermos gentis com ele. Nós aprendemos seus truques, seus disfarces e seu jeito de pensar. Nós aprendemos a ler nas entrelinhas das mensagens as imposições, expectativas ou costumes que foram transformados de verdadeiros em manipuladores.

Nós aprendemos a extrair a energia do predador e a transformá-la em outra coisa.  A raiva do predador inato da nossa psique pode ser transformada numa energia positiva para a realização de uma importante tarefa no mundo. A sua astúcia, frieza e estratégia pode ser usada para investigar e compreender as coisas de forma distanciada. A sua natureza assassina pode ser usada para erradicar o que deve realmente morrer na nossa vida. Em seguida, quer o predador esteja emanando do nosso próprio meio psíquico, que seja do meio cultural, quer de ambos, nós somos perspicazes e capazes de enfrentá-lo de frente e fazer o que precisar ser feito.

Reference

1. Estes, C. P. 1994. Women who run with the wolves. Editora Rocco, Rio de Janeiro.

2. Robin Hood (2006 TV series)

Read Full Post »

Sonhar é acordar-se para dentro.

Mario Quintana

Os sonhos são como portais para o nosso mundo interno. Essa é uma leitura que faço do meu sonho em Sydney. Há inúmeros símbolos e mensagens neste sonho. Alguns eu compreendo e  parte dessa compreensão, eu compartilho com vocês. Alguns são segredos que ainda guardo comigo. Como sempre você é bem vindo para compartilhar o seu pensamento!

—————————————————————————————————–

Leia antes: Sonho em Sydney

1. Cada mulher manifesta ao longo de sua vida as diferentes faces da Deusa, a energia feminina. No sonho essa energia feminina surge primeiramente como a  Anciã, que representa a  parteira, a Bruxa, a Mulher Sábia, pois ela conhece o oculto e o mundo espiritual. É a Rainha dos Mistérios e também a Deusa da Cura. Ela rege os finais, o desapego, o conhecimento, as transformações e a morte. No sonho o chamado para lidar com a face oculta da Deusa é tão forte que eu apareço como a Rainha da Noite, vestida num longo vestido negro. O significado da cor preta é mistério, proteção, e controle sobre si mesmo. No entanto, como uma amiga me lembrou, o negro também pode revelar as nossas vulnerabilidades e medos. Aqui está o significado da Rainha da Noite por Jessica Galbreth.

digitalizar0005A Rainha da Noite está prestes a embarcar em uma jornada. Ela olha de volta para nós para ver se estamos prontos para ir com ela. Embora ela não sabe para onde ela vai, ela sabe porque está indo. Ela busca sabedoria e está disposta a aventurar-se no desconhecido para encontrá-la. Ela envolve-se com um manto preto, a cor da noite, mas embaixo ela está nua, um símbolo de sua vulnerabilidade durante sua viagem ao mundo desconhecido. Seu companheiro é um corvo que irá  ajudá-la a decifrar as mensagens. Na mão ela carrega uma chave, que representa a finalidade de sua busca:  desbloquear as portas para o mistério. A Rainha da Noite nos  convida a visitar os cantos escuros da nossa alma e os reinos desconhecidos do mundo espiritual. Perceba que isso não é um passeio agradável pela floresta, com a luz solar derramando através das folhas. Em vez disso, nós somos solicitados  a descobrir a nossa alma e enfrentar os nossos medos.

2. Para equilibrar a energia feminina da Rainha, surge Richard Armitage,  representado o Rei em sua plenitude. Há uma atmosfera de sedução e cumplicidade entre o casal, que compartilham  segredos e intimidade.  Ele sabe para onde eu estou indo, e porque eu estou indo. Eu ouvi pela primeira essa canção de temperamento saturnino quando eu era muito jovem. Para mim, a música fala sobre a passagem do tempo. O tempo necessário para o despertar da consciência e o amadurecimento da alma. Para curar as nossas feridas e estarmos inteiros para um relacionamento. Acima de tudo ela fala sobre a espera, a espera do tempo do outro. Essa é a promessa em meu sonho: Você vai encontrar-me te esperando no jardim, quando você estiver pronta para isso. Caso não, me envie a chuva.

You will find me if you want me in the garden
unless it’s pouring down with rain
You will find me waiting through sping and summer
You will find me waiting waiting for the fall
You will find me waiting for the apples to riped
You will find me waiting for them to fall
You will find me by the banks of all four rivers
You will find me at the spring of conciousness

3. A porta simboliza o local de passagem entre dois estados, entre dois mundos, entre o conhecido e o desconhecido. A porta se abre sobre um mistério. Mas ela tem um valor dinâmico, psicológico; pois não somente indica uma passagem, mas convida a atravessá-la. É o convite à viagem rumo ao desconhecido.

image_thumb1_thumb4. Eu deixo a Deusa em sua fase anciã e me transformo  na  donzela, a semente do vir a ser. Eu volto no tempo, aos meus dias de universidade e o meu mundo é um lugar colorido e cheio de sonhos.  Eu trago aqui as palavras de uma amiga, porque eu não posso me expressar tão bem quanto ela: “Eu era basicamente uma mulher jovem feliz,  feliz,  ambiciosa, mas tamém ansiosa  para  aprender e  experimentar coisas novas. Quando somos jovens há um mundo de possibilidades abertas para nós.  Eu posso ter tudo e ser o que eu quiser.  Eu vou encontrar um emprego, o emprego certo, e eu vou ser grande para ele. Minha pesquisa irá sempre me fascinar. Eu sempre vou te amar.” Então, eu me encontro com essa outra versão de mim mesma. Uma versão que fez escolhas diferentes das que eu fiz. Eu tenho um sentimento de luto por todas as escolhas que eu não fiz, por todos os sonhos desfeitos ou não realizados, pela perda dessa versão de mim mesma. Mas,  “o que me chuta o estômago é a lembrança súbita da saudade que eu sinto por esse tipo de relacionamento aliviado com o universo e o destino.”  No entanto, a água do mar lava os meus pés, me livrando de todas as culpas que carregamos por nossas escolhas e do peso dos nossos sonhos desfeitos.

Marine-otters-swimming-on-top-of-wat5. A lontra simboliza a energia feminina em seu perfeito equilíbrio. Ela vive na terra, mas sua morada é sempre próxima a água. Os elementos Terra e Água são os elementos femininos por exelência. A lontra está sempre em movimento e é bastante curiosa. Com seu espirito alegre e aventureiro, a Lontra considera que todos em sua volta são seus amigos, até que eles provem o contrário. Esses traços de caráter são as características de uma lado feminino bem equilibrado, o nosso lado que permite que os outros penetrem em nossas vidas sem que tenhamos suspeitas nem preconceitos. A lontra nos ensina que a energia feminina bem equilibrada não é ciumenta nem maliciosa, é um espirito de irmandade, sempre feliz em compartilhar a sua boa sorte, bem como em desfrutar a boa sorte dos outros. A lontra nos ensina que num relacionamento amoroso, é importante nutrir e apoiar o outro sem compromenter a sua própria individualidade.

6. O final do sonho faz referência ao conto muito antigo que trata da coisa mais importante para a alma: a volta ao verdadeiro lar, o retorno ao seu próprio ser. A história geralmente se intitula “A Mulher-foca” ou Selkie-o, Pamrauk, a pequena foca. Eu a li pela primeira vez no livro de Clarisse Pinkola Estés, Mulheres que correm com os Lobos, no conto intitulado Pele de foca, pele de alma (A volta ao lar: O retorno ao próprio Self). A história nos fala de onde realmente viemos, do que somos feitas e de como todas nós precisamos, com regularidade, usar nossos instintos e descobrir o caminho de volta ao lar. Ela nos fala da perda da alma selvagem em virtude da ingenuidade, da percepção falha quanto às motivações dos outros, da inexperiência em projetar o que poderia acontecer no futuro, da falta de atenção a todas as pistas do ambiente. A pele na história não é tanto um objeto mas a representação  de um estado de sentimento  e de um estado de ser, um estado que é coeso, profundo e que pertence à natureza feminina selvagem. Obrigado, Richard, por me ajudar a voltar para casa!

The song is “Sealwoman/Yundah” by Mary Mclaughlin

Shadow of dream, ancient mystery
Oh how I long for your sweet caress
Oh how I long for your gentleness
Torn between sea mists and solid land
Nights when I’ve ached for a human hand
I’ll come to you when the moon shines bright
But I must go free with the first streak of light
Over the waves you call to me
Shadow of dream ancient mystery
Oh how I long for your sweet caress
Oh how I long for your gentleness

7. Os pescadores e os golfinhos tem a ver com culpa e medos. No momento, eu tenho uma enorme tarefa pela frente, a minha própria jornada rumo a Erebor. A simbologia do golfinho pode ser lida em  “Sonho de Golfinho”, e fala principalmente sobre manter o ritmo. O meu inconsciente  tomado pela culpa referente a  energia gasta nesse mundo “Richard Armitage”  e pelo medo de que isso pode ocasionar a perda de Erebor, me envia imagens terríveis.  Como no sonho, eu irei prestar atenção as “coisas terríveis”  no momento oportuno, ou seja, quando elas acontecerem, e se elas acontecerem.

Obrigada por ler!

Ana Cris

Read Full Post »

Ontem antes de dormir eu estava ouvindo  a música The Garden, de Einsturzende Neubaten, enquanto lia as últimas notícias do dia sobre Richard Armitage (Sinto decepcioná-lo leitor, mas eu não leio sobre a crise econômica mundial antes de dormir, nem sobre a situação da Síria!). Então, fui visitar o blog de Servet, e um sorriso se colocou no meu rosto ao ver a gentileza dela ao citar os meus dois últimos posts. Eu cliquei em “Eu desejo que essa fosse a sua cor” para rele-lo não como a autora do texto, mas como um leitor externo, para tentar captar o seu sentimento. Finalmente, eu visitei alguns blogs amigos que ela indicou em seu post, lendo sobre as expectativas deles de irem encontrar Richard Armitage em Sydney, num evento oferecido pela PopcornTaxi,  em  Hayden Orpheum, Cremorne. Eu me sinto feliz por eles! Como o evento é do outro lado do mundo, não há como  eu ir. Mas uma garota pode sonhar…

—————————————————————————————————–

Eu ando pelo hall de um hotel em Sydney. A luz tênue, o teto alto e a presença de inúmeros vidros refletem a sofisticação do local e lhe conferem uma atmosfera de   mistério.  Caminho sozinha, sem pressa, vestindo um longo vestido preto, que possui uma pequena cauda, que se arrasta sinuosamente pelo chão. Eu tenho as  minhas costas nuas, mas meu cabelo,tumblr_mm0mjaj2k81qir6buo1_1280 desce até minha cintura numa cascata negra, como as asas de um corvo. Eu sou uma mulher adulta, consciente de minha feminilidade e poder (1). Eu ando em direção a Richard Armitage, que está sendo aguardado para uma coletiva de imprensa. Ele está perfeito em sua jaqueta de couro preta e barba bem feita. Um homem adulto, maduro, na plenitude de sua energia masculina.  Nós nos cruzamos, e  viro levemente a cabeça oferecendo a face, e olhando para o chão. Seu ombro bloqueia parcialmente a minha passagem e  ele me segura suavemente pelo  braço, sussurando em meu ouvido: Você vai me encontrar se você me quiser no jardim, a menos que você me envie a chuva (2). Meus ombros deslizam contra o seu ombro, e minhas mãos tocam sua cintura,  em seguida eu me afasto dele. Eu sorrio  discretamente e sigo em direção a  porta externa (3).

imageAo atravessá-la um dia luminoso e cheio de vida se abre a minha frente. Pessoas ido e vindo num dia pleno de luz, mas não de trabalho. Eu  sou novamente jovem, em meus vinte anos, vestindo um vestido florido em tons rosas, pouco acima dos joelhos,  tênis brancos e uma jaqueta jeans (4). Meus cabelos tem a sua cor natural, castanho claro  e eu carrego alguns livros comigo.  Eu estou em Sydney, e eu não posso acreditar nisso! Eu abro um sorriso pleno de ponta a ponta da orelha.

Eu vejo uma feira de artesanato numa praça central  no meio da cidade. Eu me dirijo para lá a passos largos. Ando entre as inúmeras bancas, observando os artigos que são vendidos para os turistas. Então,  vou para uma praça onde artistas vendem seus quadros. Eu me vejo numa galeria de arte ao ar livre, passando de quadro em quadro por sua paleta de cores. Os quadros voam em minha direção e eu me vejo entrando em paisagens coloridas, campos verdes, céus azuis, flores multicoloridas. É como se a cidade se tornasse um quadro de Monet. Eu avisto o Opera House Sails no outro lado da praça, mas o mar nos separa. No entanto, há  passarelas estreitas ou pontes na superfície   que são caminhos para que as pessoas possam atravessar o oceano a pé.

Eu tiro o meu tênis e começo a andar sobre uma delas. Por todos os lados há o mar profundo e  as pequenas ondas molham os meus pés (4). Ao longe, há uma barco de pescadores, que oferecem cabeças cortadas de golfinhos, que eles vendem aos turistas para atrair tubarões.  Eu penso que isso é uma coisa horrível, mas resolvo não pensar a respeito até o momento oportuno (7). Eu me sento por um instante nas passarelas para tentar ver as lontras, meus dedos riscam a água chamando-as. Eu espero…

Aos poucos um casal de lontras se aproxima de mim (5). Elas deslizam através da água azul claro. Suas acrobacias parecem espontâneas e enérgicas a medida que eles nadam juntos num balé aquático sincronizado, porém mantendo suas rotas de natação individuais. Eu me deito na passarela esticando os meus braços na água para tentar passar meus dedos em seus pêlos lustrosos. Elas vem a superficie e soltam o ar em meu rosto, respingando água. Como uma criança eu solto uma gargalhada e tento me proteger da água. Eu passo minhas mãos em seu pêlo sedoso e elas mergulham de volta ao mar, desaparecendo.

ARKive image GES032353 - Marine otter

Nesse momento, eu encontro uma velha amiga (4). Nós nos abraçamos felizes e eu pergunto o que ela está fazendo em Sydney. Ela diz que estava fazendo um intercâmbio para ingressar na universidade, mas casou-se, teve filhos, e ficou na Austrália. Eu falo que ótimo, e eu realmente estou feliz por ela, mas sinto uma certa tristeza em meu coração, que  não deixo transparecer em meu rosto.   Ela me pergunta o que estou fazendo em Sydney. Bom, eu digo que estou a passeio, pois eu não consegui fazer o intercâmbio na Austrália, com o qual eu tanto sonhara, mas eu tinha ingressado  no doutorado no Brasil, num  projeto ótimo, e estava muito animada com  isso. Nos nos abraçamos e nos despedimos desejando o melhor para cada uma.

tumblr_mm0mjaj2k81qir6buo4_1280

Então, eu chego ao jardim que cerca a Opera House Sails, eu caminho lentamente para um banco onde um homem sozinho está sentado. Um suspiro sai do meu peito, Richard Armitage. Eu sorrio para ele e caminho em sua direção. A cada passo, os anos da minha vida vão se somando, e eu me torno novamente a mulher adulta que sou.  Enquanto me aproximo ele me diz: Você conseguiu, você está no local que você sempre sonhou! E me estende o braço, oferecendo-me um manto negro. Eu sento ao seu lado, deitando minha cabeça em seu peito e lhe digo: Obrigado, meu querido, por me devolver a minha pele de lontra (6).

—————————————————————————————————–

                                Interpretação: Sonho em Sydney-Parte II

Read Full Post »

Today is a day of celebration! The day we celebrate the beginning of Fabi’s collaboration at La Loba. After a year, we have already 13 posts made ​​in partnership. Then nothing more appropriate than talking about inspiration to celebrate the day! Numerous ideas for the blog are born by our exchanges of emails, from a sentence of Fabi: Why don’t you write about it at La Loba? But her inspiration goes far beyond that, Fabi brings a unique energy to the blog, leonine, solar, optimistic and a Hobbit way of being! Today’s post was born about few months ago, one day I was down and Fabi sent me a selection of Richard Armitage pictures with some motivational phrases. So, you know, an idea came to me and I challenged her to transform those images into gifs! Fabi accepted the challenge and today we have the result. So, to all those who visit La Loba we leave you with one single challenge: “Inspire yourself”!

image

gifTBF1.2gifTBF2.2

Page6-FAULT.jpg

gifTBF3.2gifTBF4.2

gifTBF5.2

gifTBF6.2

Text  from J.D. Meier of Sources of Insight

Inspiration is a powerful force, and inspired action is one of the most powerful ways to motivate yourself. If you inspire yourself, you light your fire from the inside out. Here are six ways to light the fire and inspire yourself to take action:

1. Be decisive. Make a decision and “go.”  If you waffle back and forth on things, or can’t make up your mind, you spend a lot of energy in  paralysis.  Instead, decide on something you want, and test it.  The act of making a decision and taking action will build momentum, and fuel your fire and fan your flames.  Rather than trying to figure everything out up front, start taking action, test your path, and learn and adapt along the way.

2. Draw from inspirational words of wisdom. Quotes are your friend.  Whenever you need to summon your inner-strength, it helps if you have little one-liner reminders that keep you going.  One of my favorites is by Winston Churchill, “If you’re going through hell, keep going.”

3. Stand on the “shoulders of giants.” Find some role models and heroes to use to lift your spirits and paint a canvas of possibility.  Just having some examples under your belt can inspire you to new levels. Chances are, no matter what problem or challenge you’re up against, somebody’s been there and done that.  If not exactly, then at least you can draw from similar experiences.

4. Play the favorite scenes in your mind. We all have favorite scenes from movies over the years.  It’s those scenes of triumph, or courage, or an incredible move that inspires us.  Have these at your mental fingertips and draw from them.  Continue to fill and expand your collection by paying attention to the scenes that move you.  You can also draw from scenes in real life.  We all have our shining moments.  Keep those close, and think of them as flash cards to whip out when you need it most.  Simply see the scene in your mind, remember the feeling, and use that to fire you up.

5. Observe the nature. The world around us is full of stories. Inspire yourself for nature, in its eternal cycle of birth, death and rebirth. Inspire yourself from the wildlife and the beauty of the flowers, it bring us numerous solutions to the different challenges of life. Just observe its lessons.

6. Listen to music. Most of the time when I’m writing, or need to make a decision, I’ll listen to music. Certain songs I listen  to give me ideas or energy for action. Need not be the best song in the world, just need to take the right hit!

Read Full Post »

ns4-087.jpg

Do not be afraid of the road1,2. Of the empty that arises in the chest. Do not be afraid to venture into the beyond. Do not be afraid to launch into the unknown. You have to see it, you have to live it. It’s necessary to experiment the meander of life. The wind will take us.
And everything will be okay.

The wind will take our prayers to the Big Dipper. You have to believe. Even an instant of velvet. That nothing is useless. Each moment has a purpose. The dream, the fantasy, the love. That’s our flying carpet. The wind will take it away.

And everything will disappear.

The prejudice and pride. These wounds that keep us apart. The wind will carry it away. The palaces of the yesterday, today and tomorrow. The walls that surround us. The wind will cast it into the atmosphere.

And everything will be okay.

ns4-232.jpgThe dust in our minds. The perfume of our dead years. The genetics that weighs on our shoulders. The memories that bind us to the past. The wind will carry it away. As the tide rises.

And everything will disappear.

Do not be afraid of shadows. The deeper parts of your kidneys. Fears, disappointments, broken dreams. Everything will disappear. The wind will carry it away.

And everything will be okay.

Infinity of destinies knocks on your door. Which will you choose? Everyone’s caught their accounts. We are not sure of tomorrow, but our flying carpet, our immortal soul, the wind will take it to the Big Dipper. And those wounds that keep us apart.

Everything will disappear.

I’m not afraid of the road. Of the empty that is on my chest. I’m not afraid to throw myself into the unknown. Of the meander of our body. Let’s just see, let’s just live. The wind will take us away.

And everything will be okay.

ns4-370.jpg

References and Notes

1. Shophie Hunger – Le Vent nous Portera (lyrics and translate)

2. Noir Desir – Le Vent nous Portera

3. Richard Armitage as John Thornton and Daniela Denby-Ashe as Margaret Hale in North and South. DVD. BBC. Images available in RAnet

Read Full Post »

ns4-087.jpgNão tenha medo da estrada1,2. Do espaço vazio que surge no peito. Não tenha medo de arriscar-se a ir além. De lançar-se no desconhecido.  É preciso ver, é preciso viver. É preciso experimentar os meandros da vida. O vento nos levará.

E tudo ficará bem.

O vento levará nossas preces a Ursa Maior. É preciso acreditar. Mesmo que seja um instante de veludo. Que nada é inútil. Cada momento tem um propósito. O sonho, a fantasia, o amor. Esse é o nosso tapete voador. O vento irá levá-lo para longe.

E tudo vai desaparecer.

O preconceito e o orgulho. Essas feridas que nos mantêm separados. O vento irá levá-los para longe. Os palácios de ontem, de hoje e de amanhã. As muralhas que nos cercam. O vento irá lança-los a atmosfera.

E tudo ficará bem.

ns4-232.jpgA poeira em nossas mentes. O perfume de nossos anos mortos. A genética que  pesa em nossos ombros. As memórias que nos prendem ao  passado. O vento irá leva-los para longe.  Enquanto a maré sobe.

Tudo irá desaparecer.

 

Não tenha medo das  sombras. Das partes mais profundas de seus rins. Os medos, os desapontamentos, os sonhos desfeitos. Tudo irá desaparecer. O  vento  irá levá-los para longe.

E tudo ficará bem.

A infinidade de destinos que bate a sua porta. Qual você irá escolher? Todos estão presos as suas contas.  Não temos certeza do amanhã, mas nosso tapete voador, nossa alma imortal, o vento a levará para a Ursa Maior. E essas feridas que nos mantêm separados.

Tudo vai desaparecer.

Não tenho medo da estrada. Do espaço vazio que há no meu peito.  De lançar-me ao desconhecido. Dos meandros dos nossos corpos. Vamos apenas ver, vamos apenas viver. O vento nos levará para longe.

E tudo ficará bem.

ns4-370.jpg

Referências e Notas

1. Shophie Hunger – Le Vent nous Portera lyrics and translate

2. Noir Desir – Le Vent nous Portera

3.  Richard Armitage como John Thornton e Daniela Denby-Ashe como Margaret Hale em  North and South. DVD. BBC. Imagens disponiveis em RAnet

Read Full Post »

É muito mais fácil imaginar um lugar bonito em um dia chuvoso do que imaginar um triste. É um fato simples, frequentemente esquecido, que as pessoas podem criar algo bom apenas por pensar assim. Um devaneio é um presente tão rico como qualquer outro. Como Afer Ventus, o vento da África, ou Eurus, o vento leste, Boreas, o vento do Norte ou o gentil Zephyrus, a imaginação é livre e pode escolher e criar a sua própria jornada. Como em todos os sonhos, nós alcançamos o ideal, e Caribbean Blue1 representa um sonho.

Roma Ryan2

clip_image001

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Eurus…

… Afer Ventus…

Abri os olhos e vi o vasto oceano. O vento que vinha do mar me beijava o rosto com suavidade, enquanto meus cabelos balançavam de um lado a outro, algumas vezes encobrindo meus olhos.

… assim o mundo vai e volta

com tudo que você sempre conheceu1.

clip_image002

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

As ondas banham as minhas pernas, apagando os meus passos na areia, lavando com suas águas os anos da minha vida e as escolhas dos dias passados.  Uma nova tela, clara e límpida surge a minha volta,  trazendo a promessa de um novo nascer do Sol.  Após o inverno é tempo de despertar, anuncia a brisa marítima.

… Boreas …

… Zephryus …

…ensinam-me a voar! Mostrem-me as montanhas, com as quais eu já não me atrevo a sonhar!

clip_image003

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

…Dizem que o céu lá no alto

é azul do Caribe…

Se eu pudesse mergulhar no azul-mar dos seus olhos,  na quietude e na paz silenciosa que emana deles, eu aproveitaria a beleza desse mar sem fim, para mergulhar dentro de mim e  encontrar a determinação calma de ser quem eu sou.  Aprendendo a manter forte o núcleo da minha individualidade, com respeito próprio, aos outros e as demais formas de vida.

Se houvesse ao menos um ser humano  naturalmente sincero, honrado e nobre. Se houvesse ao menos um ser humano essencialmente bom.  Se tudo que você sonhou tivesse se transformado em ouro1. Eu poderia acreditar que o céu lá no alto é azul do Caribe.

clip_image004

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

… Zephryus… 
         … Africus…

Com a tua respiração amena, suave e compassiva, derreta o gelo que se acumulou à volta do meu coração. Traz de volta a tua vitalidade e alegria de viver, ensina-me a inocência e a confiança! Ensina-me que tudo o que é verdadeiramente forte, também é gentil e sábio3.

… Eurus… 
          …Afer Ventus…

Ventos vindos além do horizonte, ensinam-me a conhecer a Paz que se segue ao esforço, e a Liberdade que emana à nossa volta como um manto a fluir nos ventos. Mostrem-me o caminho para além do medo, para além da morte, ensinam-me a sabedoria de uma vida bem vivida3.

… Boreas 
… que traz a Sabedoria da idade e do tempo. Abençoa-me com a força de resistir às tempestades. Ensina-me a gratidão, a beleza da Terra que acorda após o inverno3.

… Eurus… 
Afer Ventus… 
… Boreas 
Zephryus… 
… Africus.

Ventos que trazem a instrospecção e a contemplação. Apontem-me o caminho da cura física, o poder da transformação e da introspecção. Unir-nos dentro de mim para que  eu possa encontrar o equilíbrio e a plenitude. Elevem-me ao céu infinito3.clip_image005

Anoitece, a lua que surge  no céu é Lua Azul4. Vasta e infinita, bela e majestuosa, existindo para além de todo o conhecimento e entendimento.

Mãe querida, dá-me coragem para trazer o brilho do meu verdadeiro SER ao mundo, ensina-me humildade e auto-estima, para poder nutrir o brilho de todos a minha volta3.

Sentada nas pedras,  esperando que os ventos elevem aos céus minhas preces, o seu rosto surge diante de mim. E eu não sei por quê, meus pensamentos desaparecem como lágrimas da lua. E na infinitude do seu olhar,  eu posso acreditar que o céu lá no alto…

É azul do Caribe.

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photos: Ana Cris

clip_image006

Natal, Rio Grande do Norte, Brazil. Photo: Ana Cris

Referências e Notas

1. Carribean Blue – Performed by Enya, composed by Roma Ryan

2. Caribbean Blue – SHEPHERD MOONS – notes by Roma Ryan

3. Esta oração é inspirada na invocação as sete direções presente na tradição Seneca, sendo que a invocação dos ventos e dos mundos de cima, de baixo e de dentro são transversais a muitas tradições antigas à volta do Mundo.

4.  É chamada de Lua Azul, a segunda Lua Cheia dentro do mesmo mês. É um momento propício para trabalhar o eu interior, a religiosidade, a intuição e potencializar os poderes psíquicos. Representa a prosperidade e a abundância como um todo.

Read Full Post »

A querida AgzyM perguntou em seu blog como nós iriamos celebrar a pré-estreia de The Hobbit – An Unexpected Journey no dia 28 de novembro, a ser realizada na Nova Zelândia. Eu estou muito animada para a premiere mundial, como fã de Tolkien e do ator britânico Richard Armitage. Particularmente, para o último, considero esse momento o encerramento de um ciclo, onde ele teve que trabalhar duro para superar as adversidades e lapidar o seu talento, e o início de uma nova etapa de abundância e prosperidade. Então, eu irei comemorar essa data com o espírito de Yule. E convido você a unir-se a essa festa!

Yule é um festival religioso celebrado pelos povos germânicos antigos, que com o advento do Cristianismo teve inúmeros elementos incorporados nas tradições de Natal. Yule também é conhecido como o Festival das Luzes, por todas as velas acesas nessa noite. Ele marca a entrada do Sol no signo de Capricórnio, marcando o solstício de inverno no hemisfério norte (21 de dezembro). Comemorava-se, nesta data, o renascimento do Sol do ventre escuro da Mãe Terra, simbolizando as renovações das esperanças, novas promessas de alegrias e realizações, assegurando à humanidade que a Roda do Ano, em seu movimento perpétuo, novamente chega ao fim, e com isto termina também as vicissitudes e a escuridão do inverno. Desde os tempos mais remotos, a transição entre o ponto mais baixo (a noite mais longa do ano) e o início do retorno do Sol em sua Roda Anual, era celebrada com vários rituais em todas as culturas antigas. Para festejar o renascimento do Sol, eram acesas fogueiras e tochas, ofertavam-se presentes aos deuses, reverenciavam-se as árvores sagradas (como o carvalho e o pinheiro), que simbolizam a perenidade, uma vez que estes mantêm suas folhas sempre verdes apesar do inverno.

Na tradição Celta, existe a lenda da batalha eterna entre o Rei Carvalho e o Rei Holly. Estes dois governantes poderosos lutam pela supremacia ao longo da Roda do Ano. No solstício de inverno, ou Yule, o Rei Carvalho mata o Rei do Holly e reina até Midsummer ou Litha. Uma vez que o solstício de verão chega, o Rei Holly retorna para fazer a batalha com o velho Carvalho, e derrota-o. O Rei Holly governa até Yule. Muitas vezes, estas duas entidades são retratadas de formas familiares — o Rei Holly frequentemente aparece como uma versão de Papai Noel. Ele se veste de vermelho, usa um ramo de azevinho em seus cabelos emaranhados, e às vezes é retratado dirigindo uma espécie de trenó com oito cervos. O Rei Carvalho é retratado como um deus da fertilidade e, ocasionalmente, aparece como o Green Man ou outro Senhor da Floresta.

Richard Armitage as Thorin Oakenshield. My version of Oak King. Source: RichardArmitageNet.com

Wassailing é outro sobrevivente dessa antiga celebração. "Wassail" vem do anglo-saxão "Waes Hael", que foi traduzido para "Esteja Bem", "Esteja inteiro" ou "Esteja saudável." A resposta correta para o brinde é Drinc Hael, tornando-se uma bênção compartilhada, um desejo mútuo para a felicidade. Tradicionalmente, os camponeses iriam à casa do seu senhorio cantando e ofertando-lhe sua benção e boa vontade. Em troca o senhor daria comida e bebida para os camponeses.

"O amor e a alegria vir até você,
E para você o seu brinde também;
E Deus o abençoe e lhe envie um Feliz Ano Novo".

Assim, com o espírito de Yule, com o espírito da solidariedade, esperança e celebração,  enviamos para Richard Armitage e toda a equipe de O Hobbit nossos votos de uma estreia de sucesso!

 

image

RA2007

image

Read Full Post »

“None of us really changes over time.

We only become more fully what we are.”
Anne Rice, The Vampire Lestat

It was one afternoon, I remember like it was yesterday. Came across the yard without a noise, a tall, blond hair man and silent movements, almost feline. At first I thought it was someone asking for some information. But this suspicion was soon abandoned. He stopped near me, so that his face was in the light, and saw that it was not an ordinary man. His gray eyes burned with incandescence, and long white hands hanging at his side were not those of a human being2. I think at that moment I understood everything, and all he told me was just seductive bait. However, inside the bait was something sharp, something that ended my spirit when I felt the first bite3. I mean, when I saw him, I realized his aura, and I realized that I would be reduced to nothing. All my beliefs, my dreams, suddenly seemed to have no importance. It was all ashes. That was the beginning of the hunger, the beginning of the insatiable emptiness 2,3.

We all know people who have the inexplicable ability to drain us physically in a relatively short period of time. By being in his presence, we actually experience the feeling of our vital energy being sucked. Although there are cultural variations in the various legends, there is always a defining characteristic of a vampire: a vampire wants blood. The blood is the life, and also is the archetypal symbol of the soul, the vital energy4,5. What we call the soul can be understood simply as a desire to participate in life3,4.5.
Vampires are not ghosts, but humans who for some reason, because of an attack or traumatic events, lost contact with the source of life within themselves, and so they must prey on others4,5. For although the red thirst is always a very strong desire to resist, to live in the state of hambre del alma, hungry of soul, is  much more somber. It is feel an insatiable hunger3.

In this situation the person burns with hunger for anything that will make him feel alive again. In this state, the person sinks into excesses _ the most common drugs, alcohol and destructive relationships _ whose driving force is the hunger of the soul3. But nothing satisfies, only intensifies the experience of emptiness and chronic melancholy. The annihilation through excesses is  reaction of the person who went through a period of deprivation and is hungry for a life that has meaning3.

Hambre del alma also involves the deprivation of the attributes of the soul: creativity, sensory perception and the instinctive talent. It is then that life becomes dominated by the pallor  and aridity of death. All the vampire  want is to have the  back to deep life. Thus, his hunger drives him in search of someone to satisf his need3.

The act of killing is not a common act – the vampire said. – We can not be satisfied simply with the blood of another. Certainly it is again experiencing life and sometimes to experience the loss of this life through the blood slowly. It continues to repeat the feelings that I had to lose my own life, to suck the Lestat blood pulse  and hear your heart next to my drumming.

(Interview with a Vampire, Anne Rice)

The idea that hunger can change the behavior of living beings has great significance. There is something about hunger that deprives us of reasoning. Thus, nine out of ten cases of people that fall into traps and get hurt seriously are people whose soul is being, or has been in the past, subjected to hunger. This is the problem of deprivation. If anything give to impression to fill the yearning, the hungry soul is cast in its quest without asking questions3.
In fairy tales soul loss can be described as an incantation. Some legends describe where vampires attacks are more likely to occur. In Gilgamesh, the person who strayed too far from the community, which is isolated from the others, is more vulnerable. Loneliness, spiritual or physical, can allow this complex to manifest4. Falling in love is another common way to become vulnerable to this manifestation. However, the most likely location for the transfer of  vampiric energy is the groups, whether academic, spiritual, professional, family, or whatever its nature, the groups impose rewards and punishments to members and non-members with similar application3,4,5.

In all groups, there are people who consider themselves guardians of the collective tradition, people who support the status quo without questioning it. Its speech is behaving yourself, do not create confusion, not think too much, accept everything even if you do not like. They operate to influence and control all possible areas _ from our thoughts to our choice of partners. They can also disparage or discourage efforts that do not harmonize with their preferences3.

However, follow a value system so devoid of life causes an extreme loss of connection with the soul. So, our challenge in defense of our soul and creative spirit is not to merge with the collective, but we distinguish ourselves from those around us, building bridges to them of our choice, deciding which bridges will solidify and be very moving and which remain in outline, empty3.

To prevent the hunger we should relate to those we provide greater support to our soul and creative life. We have to keep our relationship with meaning, with the passion, with the involvement and with the profound nature of our soul, becoming more fully who we are.

References and Notes

1. Rice, A. B. 1997. Interview with the Vampire. Ballantine, USA.

2. Estes, C. P. 1994. Women who run with the wolves. Editora Rocco, Rio de Janeiro.

3. Johnson, R. L. 1992. The Vampire Archetype, Tallahassee centre for Jungian and Gnostic Studies.

4. Kimberley, S. 2012. A Psychological Analysis of The Vampire Myth. Estreo: Essex Student Research Online. Vol 1(1): 38-45

5. This text  is outside of the discussions about the possibility of Richard Armitage interpret the vampire Matthew Clairmont, written by Deborah Harkness, A Discovery of Witches or the vampire Michael Tyle, written by Syrie James, in Nocturne. These themes were brilliantly discusse in Armitage as vampire?  written by Servetus and Nocturne: I’ve Read it, Liked It and This is why: Richard Armitage!  written by Maria Grazia.

6. The psychological significance of the vampire myth has been widely discussed in the literature and the main lines of interpretation are the Jungian and Freudian. Some references for these studies are listed above.

Read Full Post »

Older Posts »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.