No question that Guy of Gisborne is the character to turn to when work is treating one badly, is there?
me + richard armitage
Texto extraído de Mulheres que correm com os lobos
Clarissa Pinkola Estés
Todas as criaturas precisam aprender que existem predadores. Sem esse conhecimento, seremos incapazes de nos movimentar com segurança dentro de nossa própria floresta sem ser devorado. Compreender o predador significa torna-se um animal maduro pouco vulnerável à ingenuidade, inexperiência ou insensatez. Nos contos de fadas e nas histórias o vilão simboliza essa força sinistra que deve ser reconhecido pelo que é: um aspecto da psique contrário à natureza da alma, que se opõe ao desenvolvimento da psique e que tenta eliminar todo o ânimo.
Uma força que se isolou do seu aspecto revitalizante e que precisa ser dominada e contida. Essa é uma verdade crucial que devemos reconhecer. Embora pudéssemos sentir compaixão por ele, nossos primeiros atos devem ser o do reconhecimento da sua existência, o de nos protegermos da sua devastação e, afinal, o de privá-lo de sua energia assassina.

Da mesma forma, no dia-a-dia, há uma quantidade de ladrões-de-alma e assassinos-da-consciência soltos por aí. O predador não sente e por isso não quer que sua vítima sinta. É exatamente essa a intenção do predador, pois o aspecto não redimido da psique não sente e, na sua inveja doentia de quem sente, ele é levado a um ódio cortante.
No mundo animal, os filhotes aprendem a reconhecer o predador através dos ensinamentos dos pais. Entre os lobos, quando a mãe deixa os filhotes para ir caçar, os pequenos tentam acompanhá-la para fora da toca e segui-la pelo caminho. A mãe rosna, os amendronta e investe contra eles até que eles voltem atabalhoadamente para à toca. A mãe sabe que os filhotes ainda não têm condição de pesar e avaliar outras criaturas. Eles não sabem quem é o predador e quem não é. Com o tempo, ela irá ensiná-los, com rigidez e eficácia. 
À semelhança dos filhotes de lobos, nós precisamos de uma iniciação semelhante, que nos revele que o mundo interior assim como o mundo exterior não são sempre locais propícios. No entanto, muitas pessoas não chegam a receber os ensinamentos básicos a respeito dos predadores que a mãe loba dá aos seus filhotes.
Sem a orientação amorosa dos pais, a criança certamente será uma presa prematura da vida, pois no início das nossas vidas, nosso ponto de vista é muito ingênuo, o que quer dizer que nossa compreensão emocional do que está oculto é muito tênue. Nesse estágio somos propensos a perceber apenas o que está às claras.
No entanto, nessa fase da nossa vida, não somos somente ingênuos quanto aos nossos processos mentais, mas também somos facilmente seduzidos pelo prazeres do ego. Com extrema facilidade renunciamos a nossa alma selvagem seduzidos por doces sonhos de conforto, inúmeros prazeres, ascensão social, riqueza ou amor eterno e, assim nos lançamos a situações muito confusas.

Embora não se espera que a família, professores e amigos sejam destrutivos para a criança mesmo quando sentem inveja, a verdade é que algum deles decididamente são destrutivos tanto de formas sutis quanto de forma não sutis. Mesmo tendo pais cuidadosos, a criança pode ser ensinada a não enxergar o predador e, em vez disso, a dourar todo tipo de esquisitice, quer seja agradável, quer não. Nesse sentido, o treinamento básico para que as crianças, especialmente as meninas, “sejam boazinhas” faz com que elas ignorem sua intuição frente ao predador. Imaginem uma loba ensinando seus filhotes a serem bonzinhos diante de uma cascavel. O pacto infeliz feito pela criança de ser “boazinha”, de nunca dizer não para ser amada com constância, não apenas não as prepara para reconhecer o predador, mas de fato são lições específicas para que se submetam ao mesmo. Ter uma formação dessas dá enorme poder ao predador natural e as prepara para ser uma presa fácil para os outros predadores. No futuro, embora possa ser um predador externo que as prejudique e arrase a sua vida, o predador inato dentro da sua própria psique concorda com isso.
Mas além de animais jovens e ingênuos, o predador tem uma preferência pela caça que de certo modo apresenta a
alma faminta, que sinta solidão da alma ou se apresente debilitada sob algum outro aspecto. Quando sentimos
hambre del alma, fome de alma, aceitamos alguma coisa, qualquer coisa que nos pareça semelhante ao que nos foi roubado. Nessa situação, a pessoa arde de fome por qualquer coisa que a faça voltar a se sentir viva. Esse é o problema da privação. Se alguma coisa der a impressão de preencher o anseio, nós o agarraremos, sem fazer perguntas.
Como a alma faminta, os lobos sempre foram descritos como um ser perverso, devorador, que mata por matar, que nunca sabe quando parar. No entanto, é somente quando um trauma atinge um lobo isolado ou a matilha como um todo que o seu padrão normal de comportamento se altera. Existem duas circunstâncias nas quais o lobo mata desenfreadamente. Nos dois casos, ele não está bem. Ele pode matar indiscriminadamente quando está com raiva ou cinomose. E ele pode matar indiscrimidamente após um período excessivo de fome. Igualmente, uma alma faminta pode ficar tão cheia de dor que a pessoa não consegue suportar mais e irrompe numa espiral destrutiva.

Assim, para reconhecer o predador temos que aprender a reconhecer as estratégias usadas por ele para atacar a vitalidade da presa. Primeiramente, o complexo predatório, usando a voz do ego, ataca a nossa criatividade, nossas ideais e nossos sonhos. Segundo, o predador tem a capacidade de distorcer as percepções humanas e as compreensões vitais de que precisamos para desenvolver dignidade moral, amplitude de visão e uma ação solidária na nossa vida e no mundo.
Suas estratégias consistem na difamação dos objetivos da sua vítima, no emprego de linguagem depreciativa para a descrição da mesma, nas críticas irracionais, nas proibições e nas punições injustificáveis. São esses os meios pelos quais o predador troca as mensagens vitalizantes entre a alma e a psique por mensagens letais que nos cortam o coração, despertam nossa vergonha e, o que ainda é mais importante, nos deixam inibidos para tomar as atitudes corretas.
No nosso próprio meio psiquico recebemos constantemente mensagens trocadas pelo predador _ “sou bom nisso, não sou tão bom assim; meu trabalho é profundo; meu trabalho é bobo, estou melhorando, não estou saindo do lugar, tenho coragem, sou covarde; tenho conhecimento, deveria ter vergonha de mim mesmo.”
Essa emboscada psíquica tem como objetivo abalar a fé, não só a fé em você mesmo mas no trabalho delicado e cuidadoso que você está realizando no inconsciente. Finalmente, o predador em seu ataque final nos mutilam. Ele mutila a nossa capacidade de sentir, ver e curar. Ele faz com que percamos a nossa capacidade psíquica de aprender, de segurar, de ajudar a nós mesmos ou aos outros. É assim que todos os adiamentos dão origem ao ódio a si mesmo. Todos os sentimentos de vergonha são reprimidos e colocados de lado para se exacerbarem, todos os recomeços tão necessários e todos os finais já a muito atrasados não se realizam. Onde quer que o predador se esgueire e atue, tudo é descarrilado, demolido e decapitado.

Então como frustrar um predador? A tática básica de um predador é não ser detectado pela presa. Então o primeiro passo é aprender a farejar. O que está por trás do visível? O que causa aquela sombra no meio da savana? Se existe algo de secreto, se existe algo de sombrio, se existe algo proibido é preciso que seja examinado. Aqueles que querem desenvolver a consciência perseguem tudo que fica por trás do que é facilmente observável: o gorjeio invisível, a janela suja, a porta que range, uma fresta de luz por baixo da soleira. Eles perseguem os mistérios até que a substância da questão lhes seja revelada. Eles não tem medo das trevas mais profundas da psique, de investigar o pior. Eles não tem medo de descobrir os corpos, as vísceras e os ossos.
Uma vez que a presa detecta o predador ela recua e dá a volta, ela mergulha no chão para escapar dele e ressurge inesperadamente às suas costas. Essa é a manobra psíquica que devemos fazer para restabelecer o domínio da nossa própria vida. Assim, a presa pára para ganhar tempo, espera a hora certa, planeja sua estratégia e reúne suas forças interiores antes de realizar uma mudança externa. Nesse processo de enfrentamento do predador, não importa o quanto nos sentimos exaustos, para sobreviver nos precisamos nos forçar a seguir adiante seja como for, não podemos ceder à fadiga.




Num ambiente psicanalítico, o antídoto é a consciência dos nossos talentos e das nossas fraquezas, para que o complexo não consiga agir isoladamente. A análise, a interpretação dos sonhos, o autoconhecimento, a investigação, todas essas atividades são manobras táticas de recuar e de dar a volta. Elas são meios de mergulhar e vir à tona por trás da questão, vendo-a de uma perspectiva diferente. Desarmamos o predador ao enfrentar suas investidas com a proteção das nossas próprias verdades. Predador: Você nunca termina nada que começa. Você: Termino muitas coisas, sim.
Capturamos o pensamentos nocivos antes que eles cresçam o suficiente para nos prejudicar e os destruímos. Desarmamos o predador ao manter nossas intuições e instintos e resistindo à sua sedução. Enfraquecemos os ataques do predador natural levando à sério o que for verdade no que ele disser, trabalhando com essas verdades e ignorando o resto.
Por fim, o animal maduro, a alma selvagem não romantiza o predador. Ele sabe o que é íntegro, sabe o que necessita para prosperar, reconhece um predador ao ver um, e sabe o que fazer a respeito. Mesmo quando pressionados pelas mensagens culturais ou psíquicas mais deturpadas, mesmo com um predador à solta na nossa cultura ou na nossa psique individual, todas nós ainda podemos ouvir as instruções selvagens originais e agir de acordo com elas.

É isso que aprendemos quando cavamos até atingir a nossa natureza selvagem e instintiva, quando realizamos o trabalho da iniciação profunda e do desenvolvimento da consciência. Nós recebemos uma enorme capacitação através do desenvolvimento da visão, da audição, do ser e do fazer selvagens. Nós aprendemos a procurar o predador em vez de espánta-lo, ignora-lo ou de sermos gentis com ele. Nós aprendemos seus truques, seus disfarces e seu jeito de pensar. Nós aprendemos a ler nas entrelinhas das mensagens as imposições, expectativas ou costumes que foram transformados de verdadeiros em manipuladores.
Nós aprendemos a extrair a energia do predador e a transformá-la em outra coisa. A raiva do predador inato da nossa psique pode ser transformada numa energia positiva para a realização de uma importante tarefa no mundo. A sua astúcia, frieza e estratégia pode ser usada para investigar e compreender as coisas de forma distanciada. A sua natureza assassina pode ser usada para erradicar o que deve realmente morrer na nossa vida. Em seguida, quer o predador esteja emanando do nosso próprio meio psíquico, que seja do meio cultural, quer de ambos, nós somos perspicazes e capazes de enfrentá-lo de frente e fazer o que precisar ser feito.
Reference
1. Estes, C. P. 1994. Women who run with the wolves. Editora Rocco, Rio de Janeiro.
2. Robin Hood (2006 TV series)
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