To Joanna

Os Anões sempre foram um povo forte e corajoso. Muitos contos antigos afirmam que Durin, o mais velho dos Sete Pais nunca morreu, mas adormeceu por séculos em Khazad-dûm, nas Montanhas Sombrias.1 Ao seu lado estão os seus leais companheiros, em suas montarias, com suas espadas, escudos e martelos. Dizem que quando lágrimas amargas verterem da face do Povo de Durin, eles irão despertar e Durin, o Imortal irá retornar na forma de um herdeiro da sua Casa. Mas na verdade, os anões acreditam que é o próprio Imortal que retorna, pois os anões têm muitas histórias e crenças entranhas a respeito de seu destino no mundo1. Eu era pouco mais do que um menino quando ouvi pela primeira vez a canção dos Cavaleiros Adormecidos2 na voz de meu tio Thorin, que por sua vez a ouviu de seu pai, que a ouviu do pai do seu pai, meu avô.
— Kili, meu filho, desça ao lago e veja as mulheres chorando lá. Então vá para o alto das montanhas e veja que os homens estão chorando também3.![]()
— Tio porque todas as mulheres estão chorando?
— Elas choram por seus homens.
—Então porque os homens choram?
—Eles choram de volta para elas.
—Tio, porque todas as crianças estão chorando?
—Elas apenas choram, filho.
— Elas apenas choram, Tio?
— Sim, pois o verdadeiro choro ainda está por vir, quando seus pequenos corações forem realmente despedaçados. Ouça Kili, está é uma canção de lamento3. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Uma canção para que os Cavaleiros Adormecidos despertem no coração da Montanha.

Giewont está situado na área do Tatra National Park, Polônia (Parque Tatrzański Narodowy). No folclore polonês está associada a uma lenda sobre Cavaleiros Adormecidos, que vão acordar quando a Polónia estiver em perigo.
—O que é um cavaleiro?
— Um cavaleiro é um homem especial, um eleito entre mil homens, com o coração de ouro, é alguém que consegue ver as coisas de um patamar diferente daquele dos homens comuns. Nada, para o cavalheiro, é comum. O homem comum pensa antes em si do que nos outros, enquanto o cavaleiro pensa antes nos outros e nada em si4. Ele é o guardião dos fracos, o defensor dos desamparados e o servo dos indefesos. A esperança daqueles que não a encontram mais em seus próprios corações. O homem comum perde-se nas culpas e arrependimentos do passado e desespera-se antes as incertezas do futuro, esquecendo-se de que o momento é o presente. Já, o cavaleiro só vive o momento presente, pois sabe que tudo mais é ilusão. Sabe que cada aurora é única e especial, como cada folha que viaja embalada pelo vento e cada flor que se apresenta em seu caminho ou de vinho que lhe chega aos lábios e cada conversa que tem com um amigo ou com uma dama. Enfim, o cavaleiro vive cada momento, pois anda de braços dado com a morte e sabe que cada um pode ser o seu último momento4.

—Isso não os assusta, Tio?
— Não, isso assustaria apenas a um homem comum, ao contrário, lhe dá força e coragem para viver a vida com toda a sua intensidade, porque quem não tem medo de morrer também não tem medo de viver4!
— Oh Tio, diga-me, você está chorando? Sua face parece úmida ao toque3.
— Sim, Kili, afinal está é a canção do choro. Uma canção na qual se chora enquanto todos os homens e mulheres dormem. Mas, eu não irei chorar por muito tempo3.
E foi assim, enquanto seus braços batiam forte o martelo na bigorna e sua mente se perdia em imagens que apenas seus olhos contemplavam, que ouvi a lenda dos Cavaleiros Adormecidos pela primeira vez. Foi assim que vi pela primeira vez os Cavaleiros Adormecidos despertarem e oferecerem a sua espada em sinal de lealdade ao seu Rei renascido, ao herdeiro da Casa de Durin. E foi naquela noite que o meu destino ao lado de Thorin, o Rei Sob a Montanha, foi selado e eu me tornei o seu mais jovem cavaleiro.
Nos dias atuais, os Filhos de Durin florescem e um novo Rei Sob Montanha os governa, mas no coração de Erebor, os Cavaleiros Adormecidos ainda escutam a canção chorosa que embalam o sono dos homens e mulheres enquanto eles dormem e aguardam silenciosamente o momento de despertarem novamente em seus corações.
Referências

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)


Oi Ana Cris,
Viver o momento presente! Dar tudo de si em cada ato, viver intensamente e consciente de que a vida é um dom inestimável demais para ser desperdiçado! Está aí uma filosofia de vida a ser seguida.
Foi bem legal o toque inusitado da lenda polonesa. Eu acho todas as polonesas do fandom muito simpáticas!
Bjs,
Fabi
Oi Fabi,
Isso já foi postado antes na série Paz Guerreira, mas não custa nada nos lembrar dessa palavras,
principalmente quando os dias ficam demasiado escuros. Obrigada por seu apoio sempre!
Cuide-se! :0)
Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
A paz está no aqui e agora. A paz é o caminho.
Em cada respiração, em cada passo, a paz é o caminho.
Thich Nhat Hanh